Criadores abandonam Minas

O Minas Trend Preview realizou-se no Expominas com apenas quatro desfiles para a primavera-verão 2013/2014, assinados pelos designers Victor Dzenk, Vivaz, Patricia Motta e Gig. As tendências na passerelle focaram-se em cores vibrantes com amarelo, azul, verde Kelly e vermelho, e o vestuário de noite tornou-se na categoria dominante. Conjuntos, vestidos skater e tops curtos desfilaram também na passerelle, juntamente com estampados florais ousados. Os detalhes feitos à mão, bordados e decorações primorosas reforçaram o estilo de design característico desta região brasileira. A continuação da diminuição do número de desfiles, em comparação com os nove designers que apresentaram na última estação e os 22 da estação anterior, é, em parte, um efeito da recente mudança no calendário de moda brasileiro. Mas Marta Meireles, da Sindivest MG, a associação têxtil de Minas Gerais e uma das patrocinadoras do evento, aponta os custos de produção dos desfiles como uma das razões para a mudança, já que a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), principal patrocinadora do evento, deixou de cobrir esses custos, numa tentativa, alega, de levar as marcas a crescer. «As marcas têm de se habituar a investir nos desfiles», afirma Meireles. «Em São Paulo, os designers sentem que têm de participar nos desfiles, mas a semana de moda de São Paulo tem 15 anos. A Minas Trend Preview tem sete anos e os designers estão apenas a aprender», acrescenta. Juntamente com os desfiles, decorreu em paralelo a feira de moda, com designers como Faven, Barbara Bella e Mabel Magalhães. Em contraste com o baixo número de desfiles, mais de 244 expositores participaram nesta edição, com um feedback positivo das marcas, que revelaram a concretização de bons negócios. Embora Minas Gerais exporte 40 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) em vestuário, sobretudo beachwear, os custos de exportação são um problema que a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil continua a tentar resolver junto do governo do país. «Os designers de Minas Gerais estão mais bem preparados para a exportação do que estavam há alguns anos. Sonham em vender os seus produtos lá fora, mas isso pode ser dispendiosos e têm de analisar como é que os vai afetar», conclui Marta Meireles.