Cortar para ganhar

O Versace Group confirmou o despedimento de 350 pessoas – cerca de um quarto da sua força de trabalho mundial – para enfrentar melhor o abrandamento no consumo de artigos de luxo. A eliminação destes postos de trabalho faz parte de um vasto plano de reorganização da casa italiana de moda para aumentar a eficiência, regressar aos lucros em 2011 e fornecer uma plataforma para crescimento futuro. Embora a empresa não tenha dado detalhes sobre onde irá fazer o corte de postos de trabalho, afirmou que «todas as medidas serão implementadas até meados do próximo ano». A Vercase quer tornar a produção mais eficiente, rever a sua rede de lojas, reduzir o investimento de capital em 2010 e eliminar postos de trabalho excessivos. «As condições de comércio no início da crise mundial foram muito difíceis e a empresa antecipa prejuízos em 2009», revelou Gian Giacomo Ferraris, que sucedeu a Giancarlo Di Risio como CEO em Julho. De acordo com as notícias veiculadas pelos meios de comunicação italianos, a empresa espera um prejuízo operacional de 30 milhões de euros este ano. «Nenhuma organização pode permitir que uma situação como esta continue, sobretudo tendo em conta uma previsão estagnada para 2010», acrescentou Ferraris. A Versace tem uma história de resultados financeiros inconsistentes, com anos de prejuízo devido a más opções de gestão e elevados custos operacionais, exacerbados por uma dívida de 120 milhões de euros do pacote de reestruturação em 2004. A empresa italiana parecia ter passado a fase menos boa, em 2006, quando registou um lucro de 19,1 milhões de euros, uma clara melhoria em comparação com o prejuízo de 5,5 milhões de euros do ano anterior – conseguido graças a uma nova administração, lojas remodeladas, expansão para o negócio de acessórios de margens mais elevadas e até uma mudança de roupas excêntricas para cortes mais sóbrios. As vendas, contudo, continuaram a descer, caindo dos 306 milhões de euros registados em 2005 para os 288 milhões de euros em 2006 Mesmo assim, a Versace estava a planear a entrada em bolsa no final de 2008 para financiar a sua expansão – uma acção que foi cancelada com o início da recessão mundial. Os problemas desde então têm sido agravados por uma procura mais reduzida pela sua moda e acessórios de gamas de preço mais altas, assim como pela bancarrota da sua fornecedora de jeans e sportswear, a Ittierre SpA. A empresa tem também sido mais atingida de que algumas das suas rivais maiores devido a uma rede de distribuição mais pequena, uma cadeia de aprovisionamento menos flexível e vendas por grosso menores, com as department stores e lojas a baixarem os seus níveis de inventário. A Versace está também posicionada num dos sectores mais atingidos pela recessão mundial, com os compradores a adiar novas compras e a centrar-se mais em artigos duráveis com menos conteúdo moda. No início deste ano, a empresa italiana registou uma quebra de 13,4% nas vendas do primeiro trimestre e no mês passado decidiu fechar as lojas no Japão para se voltar para «novas localizações e canais de distribuição mais adequados» no país. «Acredito que a reorganização vai criar uma plataforma a partir da qual o grupo pode crescer fortemente no futuro», afirmou Ferraris. Muitas das mudanças fazem parte de um plano de reestruturação de três anos, elaborado em colaboração com a Bain&Co para tentar levar a empresa novamente para o caminho do lucro.