A icónica rua londrina tem uma história longa e rica, mas foi a sua influência na moda, música e cultura juvenil na década de 1960 que a colocaram no centro das atenções. Com o design original e as boutiques independentes, lado a lado com as lojas de marcas internacionais, a Carnaby Street continua a ser um dos melhores destinos de compras de Londres, reputação que conquistou há já 50 anos. «Se fosse apenas como outra rua, não seria tão interessante», afirma o fotógrafo Philip Townsend, cujo reportório inclui os Rolling Stones e a modelo Twiggy. O trabalho de Townsend está patente numa exposição intitulada: “Carnaby Street: 1960-2010”, que estreou em Fevereiro e faz parte de uma série de eventos que decorrem ao longo do ano para celebrar a moda, a música e a história das 12 ruas que compõem a área de Carnaby. Os centros de exposições, marcados por uma linha de tempo tridimensional – que caracteriza uma variedade de objectos, incluindo desenhos, capas de revistas e discos de vinil – ilustram as pessoas e os eventos chave que participaram na transformação de uma zona que, há 500 anos, era pouco mais do que um campo com um moinho de vento fora de uso. Abrigada numa loja vazia, no número 38, a exposição apresenta ainda uma selecção de roupas, que fornece uma perspectiva de como o estilo Carnaby Street tem evoluído ao longo das décadas. Uma curta-metragem de filmes arquivados, projectada numa parede de tijolos caiados, transporta os visitantes para as vistas e sons da rua no seu auge de 1960. Foi a chegada do empresário John Stephen, um escocês carismático creditado pela introdução das calças de cintura baixa e das camisas com estampados florais, que pela primeira vez associou o nome da rua com a moda masculina exuberante, tendo como alvo os consumidores adolescentes de classe alta. «A Carnaby Street tornou-se um novo espaço para a moda na década de 1960», revela um dos curadores da exposição, o historiador de moda Amy de la Hay. «O que foi sem precedentes foi o facto de que era dirigida especificamente aos jovens e adolescentes e destinava-se a homens. Mas como os desenhos eram tão inovadores e tão extraordinários e não estavam disponíveis noutros lugares, também as celebridades e estrelas pop vieram aqui comprar. Por isso, foi esta incrível atmosfera emocionante de uma mistura de pessoas», prossegue o historiador. Em 1973, a rua passou a ser exclusiva para peões e as calçadas foram pavimentadas com blocos de borracha multicoloridos. O padrão, posteriormente retirado da calçada, foi recriado no soalho da exposição. Townsend, cuja fotografia favorita da rua apresenta dois homens elegantemente vestidos de chapéu de coco, considera que a combinação de clientes de moda e celebridades ao lado de pessoas comuns, que usavam a rua como passagem, conferiu-lhe uma sensação única. A apenas alguns minutos de Oxford Street e Piccadilly Circus, no West End de Londres, a área continua a ser um destino popular para turistas e compradores locais que procuram as criações individuais e originais que a tornaram famosa.











