Bangladesh vê juta como alternativa ao plástico

A fibra, conhecida como fio dourado no Bangladesh, está a ganhar protagonismo como substituta do plástico em têxteis, embalagens, construção, agricultura e moda, graças à sua biodegradabilidade e às várias aplicações industriais já desenvolvidas.

[©Unsplash-Kabiur Rahman]

Cultivada no Bangladesh há mais de 200 anos, a juta foi anteriormente uma das principais exportações do país e é atualmente apresentada como uma matéria-prima com potencial para substituir não apenas sacos, mas também plásticos e geotêxteis utilizados nas indústrias automóvel, industrial e agrícola, avança a Reuters.

Um hectare de juta pode absorver até 15 toneladas de dióxido de carbono e libertar 11 toneladas de oxigénio durante a época de crescimento e depois pode biodegradar-se em apenas três meses. Quando processada, a fibra comporta-se como o seu equivalente de origem fóssil, sem as implicações ambientais.

A cultura pode ser produzida em terrenos sujeitos a inundações e degradados, sem competir diretamente com culturas alimentares como o trigo ou o milho. Durante o crescimento, a queda das folhas contribui para aumentar o teor de matéria orgânica e a qualidade dos solos, que podem assim absorver e armazenar mais água. A produção também não depende de pesticidas e herbicidas da mesma forma que culturas como o algodão ou o trigo.

Entre as aplicações já desenvolvidas está um saco criado por um investigador do Bangladesh com características semelhantes às dos sacos de plástico durante a utilização e capacidade de biodegradação após a sua eliminação. A juta pode também ser transformada em geotêxteis para controlo da erosão, em misturas com viscose destinadas à confeção de vestuário e em materiais para construção. Um dos exemplos é o Jutin, um material leve, termicamente isolante e resistente à ferrugem, produzido através da sobreposição de fibra de juta e resina.

No Bangladesh, a juta e os seus produtos derivados registaram um crescimento acumulado de 22,26% entre julho e agosto de 2026. Além disso, a União Europeia tem demonstrado interesse em materiais alternativos para embalagens, num contexto de restrições crescentes aos plásticos de utilização única. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, estão a procurar materiais alternativos na sequência da proibição do plástico de utilização única em janeiro deste ano.

A expansão da juta enfrenta, contudo, limitações relacionadas com certificação, capacidade industrial e financiamento. O regulamento relativo às embalagens e aos resíduos de embalagens da União Europeia exige a norma EN 13432, que define os requisitos para determinados produtos poderem ser comercializados como biodegradáveis ou compostáveis no mercado europeu.

O desenvolvimento da capacidade de certificação no Bangladesh, em colaboração com parceiros técnicos europeus, poderá facilitar o acesso dos exportadores aos mercados europeus. Além disso, uma instituição comum aos países produtores de juta, como o Quénia, Índia, Sudão, Nepal, Uganda, Vietname e Camboja, poderá apoiar a certificação e a rastreabilidade e aumentar a capacidade de negociação com compradores europeus e norte-americanos.

O investimento em capacidade de transformação constitui outro dos desafios. Várias das inovações de juta encontram-se ainda em volumes-piloto ou semicomerciais, sendo necessário capital para desenvolver unidades de transformação de média escala.