Admirada por estilistas e cortejada por agentes, a imprensa americana da moda é considerada muito poderosa, num universo onde os famosos têm a última palavra e onde um vestido fotografado numa cerimónia de renome como os Óscares ou os Globos de conta mais que uma colecção bem sucedida (ver O poder dos Media). Com a greve dos argumentistas de Hollywood, que conduziu à anulação da cerimónia dos Globos de Ouro, e com a queda da Bolsa americana perante o anúncio do aumento do desemprego, pela primeira vez nos últimos quatro anos, quem marcou pontos foi a Semana de Moda de Nova Iorque, que aproveitou a oportunidade de escapar ao clima sombrio do país, com um sofisticado look outonal, repleto de bijutaria, brilhantes, plumas, peles e cores fortes. No clÁssico cenÁrio de Bryant Park, próximo de Times Square Garden, a NY Fashion Week para o Outono/Inverno 2008 apresentou cerca de 67 colecções que apontam para o retorno do glamour adulto», segundo afirmou David Wolfe, director criativo da empresa The Doneger Group, que faz a previsão das tendências de moda, acrescentando que a época actual faz relembrar o sucedido durante a Grande Depressão. Isto porque naquela altura específica, a moda ofereceu o escape perfeito para fugir a toda aquela situação. Em paralelo, nesta edição do certame e apesar de todas as incertezas vividas nos EUA, as colecções apresentadas reflectem optimismo, são belas e muito elegantes». Como jÁ é habitual, os desfiles iniciaram-se em tons de vermelho, com a apresentação da “The Heart Truth’s Red Collection 2008”, destinada a consciencializar o público sobre as doenças cardíacas. A Primeira-dama Laura Bush fez questão de estar presente no desfile inaugurado pela cantora Liza Minnelli, que interpretou uma das canções símbolo da cidade: o clÁssico "New York, New York". A festa da moda continuou na “Big Apple” com a colecção de Max Azria para a BCBG, descrita como feminina e muito elegante». Cintos marcaram a cintura em todos os looks, para além de vestidos curtos e justos ou com volume balão. Um desfile clean que ganhou força com plissados e drapeados em mangas, golas e em detalhes aplicados em saias e vestidos. Para festejar os seus 75 anos, a Lacoste (ver Crocodilo em forma aos 75), reconhecida por conjugar o melhor do desporto com o estilo luxuoso, trouxe à passerelle dois momentos distintos. Numa primeira parte, as peles brancas de ovelha, macacões de malha e óculos com lentes redondas que faziam lembrar os anos 60, complementadas por botas, gorros e casacos, tanto para a colecção feminina como para a masculina, captaram os olhares admirativos de todos – tendo sido. JÁ, na segunda parte do desfile, que teve como cenÁrio as montanhas da Jamaica e os grupos musicais dos anos 70, a marca do crocodilo apostou nas cores vibrantes das saias, casacos, écharpes e vestidos. Apresentando a sua segunda linha, Donna Karan, trouxe para a passerelle uma DKNY com uma menina-mulher descontraída e moderna. Vestidos com silhuetas leves e calças largas foram as peças-chave de uma colecção que mostrou que a sobreposição estÁ em alta. Casacos com cinturas marcadas, meias-calças e chapéus complementaram a juvenil linha da estilista. JÁ, Diane Von Furstenberg, transportou a plateia para uma era de glamour e sofisticação, fazendo desfilar looks que marcaram a diferença. Vestidos e saias sobrepostas foram as peças mais marcantes, sendo complementadas por uma silhueta justa. Os ombros apareceram levemente estruturados e ajudaram a dar um ar mais sofisticado aos estampados. Carolina Herrera apresentou uma colecção de conto de fadas, inspirada no estilo de Robin dos Bosques. Calças justas, coletes, vestidos leves e casacos longos como capas transmitiram um ar dramÁtico a uma linha que transformou a feminilidade clÁssica em moderna. JÁ, Carmen Marc Valvo apostou numa colecção inspirada em Elizabeth Taylor no “Disque Butterfield 8”, com uma mistura de lingerie e de peças com vÁrias camadas», salientou o estilista que fez questão de descrever a sua linha, composta sobretudo por blusas transparentes, calças elegantes e casacos de pele, como essencialmente sensual». Destaque na Semana de Moda de Nova Iorque mereceu também Jill Stuart, que resgatou o minimalismo vanguardista com vestidos soltos combinados por botas longas. A seda tomou conta da colecção, aparecendo em calças, casacos e blusas. Os acessórios-chave englobaram chapéus, luvas de couro e cintos que marcavam a cintura alta. A New York Fashion Week foi apresentada como um dos grandes atractivos turísticos do início de ano para a cidade que nunca dorme e, segundo os organizadores, voltou a superar as expectativas com a presença de muitas celebridades, jornalistas e sobretudo muitos estrangeiros que fizeram questão de acompanhar os desfiles, modelo a modelo».











