Bezos Earth Fund financia novos materiais têxteis

Em parceria com universidades norte-americanas e centros de investigação, o fundo criado por Jeff Bezos vai disponibilizar 29 milhões de euros para o desenvolvimento de soluções têxteis sustentáveis e de elevada performance.

[©Bezos Earth Fund]

A iniciativa envolve a Universidade de Columbia, a Universidade da Califórnia, a Universidade de Clemson e a The Cotton Foundation, com o objetivo de criar fibras capazes de substituir materiais como a viscose, seda e algodão, mantendo ou superando o desempenho atual.

Lauren Sánchez Bezos, vice-presidente do Bezos Earth Fund, destaca que as «equipas estão a cultivar fibras a partir de bactérias, a desenvolver algodão que sai da terra já com cor e a criar fibras semelhantes à seda a partir de compostagem. Isso não é apenas bom para o planeta. É o futuro da moda».

A Universidade de Columbia vai receber 11,5 milhões de dólares (cerca de 9,4 milhões de euros) para desenvolver, em parceria com o Instituto de Moda e Tecnologia, em Nova Iorque, uma fibra têxtil cultivada por bactérias alimentadas com resíduos agrícolas, biodegradável e sem contribuição para a proliferação de microplásticos.

«A convergência da biologia, da física, dos materiais e da ciência de dados permite-nos conceber monofilamentos com resistência, elasticidade e até cor personalizadas, abrindo caminho para fibras regenerativas que rivalizam com as sintéticas, mantendo-se compostáveis no fim do seu ciclo de vida. O generoso apoio do Bezos Earth Fund é fundamental para o desenvolvimento da estrutura de avaliação do impacto do ciclo de vida, que confere rigor científico e transparência aos impactos ambientais e sociais dos têxteis, fecha ciclos entre indústrias e demonstra que a inovação baseada na natureza e o design positivo para o clima são possíveis e rentáveis», refere Theanne Schiros, professora do departamento de ciência dos materiais da Faculdade de Ciências e Matemática do Instituto de Moda e Tecnologia.

Já a Universidade da Califórnia, em Berkeley, ficará com 10 milhões de dólares para criar uma fibra de alto desempenho inspirada na resistência da seda de aranha, sem recorrer a aranhas, bichos-da-seda ou plástico, contando com cientistas da Universidade de Stanford e do Instituto de Tecnologia da Califórnia. A Universidade de Clemson, por sua vez, receberá 11 milhões de dólares para desenvolver, com investigadores da Universidade da Geórgia, variedades de algodão com cor integrada e maior resiliência através de edição genética.

Por fim, a The Cotton Foundation vai ser contemplada com 1,5 milhões de dólares para restaurar o maior banco público de sementes de algodão não geneticamente modificadas. Chad Brewer, diretor executivo da The Cotton Foundation, aponta que «este investimento do Bezos Earth Fund surge num momento crítico para proteger um dos recursos genéticos mais valiosos da agricultura. Ao reforçar as bases da genética do algodão, podemos promover fibras naturais mais resilientes e sustentáveis, oferecendo alternativas seguras e escaláveis aos materiais sintéticos».

Segundo Tom Taylor, presidente e CEO do fundo, «no Bezos Earth Fund estamos constantemente à procura de novas soluções inovadoras na interseção entre clima, natureza, pessoas e comunidades para garantir que estamos a proteger e restaurar o mundo que amamos. Acreditamos que a moda sustentável faz parte dessa missão, tornando as escolhas de vestuário sustentável fáceis, amplamente disponíveis e, em última análise, melhores para o planeta e para as pessoas».