Retalho em marcha lenta

A mediana das previsões de 29 economistas consultados pela Reuters aponta para um aumento de 0,4% no volume de vendas a retalho no Brasil em setembro, excluindo automóveis e materiais de construção. As vendas a retalho subiram 1,1% no mês anterior. As vendas no retalho enfraqueceram com a diminuição da criação de emprego e o aumento das taxas de juros, privando a economia brasileira da sua fonte mais fiável de crescimento dos últimos anos e contribuindo assim para uma recessão moderada no primeiro semestre do ano. Apesar da recente recuperação, a atividade retalhista deverá manter-se abaixo dos níveis observados em maio, antes do Campeonato do Mundo. O crescimento do retalho no terceiro trimestre poderá até ser o mais fraco da última década, de acordo com Dev Ashish, economista da Societe Generale. Apesar do comércio estar preparado para uma recuperação suave nos próximos meses, vai provavelmente dar à economia do Brasil apenas um impulso modesto até 2015, acrescentou o responsável numa nota de análise. Os economistas sobrestimaram o crescimento das vendas no retalho em cinco dos últimos sete meses, de acordo com os dados de pesquisa da Reuters. As previsões para o resultado da evolução mensal em cadeia ficaram em média aquém da marca de 0,6 pontos percentuais, durante o período. A desaceleração acentuada do consumo tem forçado os retalhistas a reduzir custos e a oferecer promoções agressivas para proteger os lucros. O maior retalhista do Brasil, o GPA SA, cortou cerca de 3.000 postos de trabalho no período de abril a junho. Na comparação homóloga com setembro de 2013, as vendas terão provavelmente subido 0,7%, recuperando de uma queda de 1,1% no mês anterior, de acordo com a mediana de 28 previsões. As previsões para a variação mensal das vendas situam-se entre um aumento de 1,1% e uma queda de 0,6%. As estimativas para a variação anual variam de um aumento de 2,1% a uma queda de 2,7%.