Ravel capta mais de €7 milhões para escalar reciclagem de misturas de fibras

A empresa está a preparar a passagem à escala comercial de uma tecnologia de reciclagem capaz de separar misturas têxteis difíceis de tratar, como poliéster e elastano, e recuperar as matérias-primas para integrar novamente na produção.

[©Ravel]

A tecnologia batizada Purification Recycling foi desenvolvida para valorizar misturas de fibras difíceis de reciclar, que integram a grande maioria do vestuário atualmente. «As misturas de fibras oferecem inúmeras vantagens ao vestuário. São elas que tornam as peças duráveis, funcionais e acessíveis. Mas as misturas não são recicláveis com as infraestruturas existentes. É aqui que entra a Ravel. Estamos a resolver um enorme problema ao qual outras tecnologias não conseguem dar resposta», afirma Zahlen Titcomb, CEO da Ravel.

O processo da Ravel consegue separar misturas consideradas inseparáveis, como poliéster/elastano, uma combinação muito utilizada no vestuário de performance, e transformar os resíduos em materiais monocomponente de elevada pureza, recorrendo a processos que não destroem as fibras e têm um baixo consumo energético. Simultaneamente, a empresa procura otimizar o custo, o impacto ambiental e a qualidade necessária para que os materiais possam ser diretamente utilizados pela indústria.

«Não somos uma tecnologia de despolimerização intensiva em energia, uma abordagem bioenzimática ou um processo de downcycling mecânico. Em vez disso, utilizamos propriedade intelectual desenvolvida internamente para preservar a integridade das fibras de base e purificá-las, removendo as impurezas. Recorremos a materiais seguros e o nosso processo não gera resíduos adicionais nem subprodutos», garante a empresa.

Uma vez que aceita materiais com misturas de fibras no seu processo, a Ravel consegue trabalhar com uma diversidade de resíduos sem precedentes, permitindo ultrapassar o problema logístico, complexo e dispendioso de separar fluxos de resíduos têxteis.

Para acelerar esse processo, a empresa norte-americana fechou uma ronda de investimento de 8,2 milhões de dólares (cerca de 7,1 milhões de euros), liderada pela One Small Planet e com participação significativa da AP Ventures, além do apoio da Overlay Capital e da Lichen Ventures. Os investidores existentes At One Ventures, Collateral Good e Betterway Ventures voltaram também a participar no financiamento.

«A tecnologia da empresa transforma misturas complexas de materiais em matérias-primas com qualidade equivalente à dos materiais virgens, criando uma cadeia de abastecimento transparente, de baixo carbono e competitiva em termos de custos, ao mesmo tempo que abre caminho para que mais indústrias a nível global adotem modelos circulares», justifica Jack Wielebinski, diretor de investimento da One Small Planet. «A Ravel representa uma oportunidade rara na reciclagem: existe um caminho claro para produzir materiais reciclados mais baratos do que os equivalentes virgens», acrescenta.

«O principal fator de sucesso de qualquer negócio de reciclagem é a matéria-prima. Que percentagem do fluxo de resíduos utilizado é realmente aproveitável? Até que ponto tem de ser puro para que o processamento seja economicamente viável? A que distância tem de ser transportado? Estes fatores determinam a economia unitária, a complexidade operacional e, em última análise, a capacidade de escalar. O que nos impressionou na Ravel foi o facto de a equipa ter reconhecido este problema desde o início e ter desenvolvido especificamente a tecnologia tendo em conta a escalabilidade e o desafio das matérias-primas. O resultado é uma solução com grande flexibilidade ao nível dos resíduos que pode utilizar, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade de produzir materiais de elevada pureza a baixo custo. Na nossa perspetiva, esta combinação de características pode permitir uma adoção em massa», resume Helen Lin, partner da At One Ventures.