A Associated British Foods (ABF), empresa-mãe da Primark, anunciou que Paul Marchant renunciou com efeitos imediatos ao cargo de CEO, após uma investigação conduzida por advogados externos, a pedido da ABF, de uma denúncia de comportamento impróprio de Paul Marchant para com uma pessoa em contexto social.
Durante a investigação, refere a ABF, Paul Marchant cooperou plenamente, reconheceu o seu erro de julgamento e admitiu que as suas ações não estiveram à altura dos padrões exigidos pela empresa. O agora ex-CEO pediu desculpa à pessoa envolvida, ao conselho de administração da ABF, aos colegas da Primark e a todos os que estão ligados ao negócio.
Segundo a Reuters, que cita um porta-voz da empresa, esta não terá sido a primeira investigação sobre Paul Marchant, que esteve já envolvido num incidente anterior envolvendo «comunicação inapropriada», tendo sido tomadas «ações proporcionais» na altura.
Enquanto decorre o processo de transição, Eoin Tonge, atual diretor financeiro da ABF, assumirá interinamente o cargo de CEO da Primark. Joana Edwards, atualmente responsável pelo controlo financeiro do grupo, assumirá temporariamente a função de diretora financeira da ABF.
Em comunicado, a ABF sublinha o seu empenho em manter um ambiente de trabalho seguro, respeitador e inclusivo, onde todos os colaboradores e parceiros externos sejam tratados com dignidade. A empresa também garantiu apoio contínuo à pessoa que denunciou o incidente.
«Estou profundamente desapontado. Na ABF, acreditamos que padrões elevados de integridade são essenciais. Agir com responsabilidade é a única forma de construir e gerir um negócio a longo prazo. Os colegas e todas as pessoas com quem trabalhamos devem ser tratados com respeito e dignidade. A nossa cultura tem de ser, e é, maior do que qualquer indivíduo», salientou George Weston, CEO da ABF.
Nos seus mais de 15 anos na liderança da Primark, Paul Marchand quadruplicou o lucro operacional da retalhista para mais de mil milhões de libras e mais do que duplicou o número de pontos de venda, para 450 lojas em 17 países na Europa e nos EUA.
Analistas como Darren Shirley, da Shore Capital, acreditam que a mudança na liderança não deverá afetar a atividade da Primark. «É, efetivamente, um final muito desapontante, para dizer no mínimo, para Paul Marchand e a Primark e ABF, onde ele supervisionou o desenvolvimento de uma boa retalhista de preços baixos com fortes perspetivas de crescimento. Dito isso, concordamos com a visão de George Weston sobre o fator de dignidade e respeito ser mais importante do que qualquer pessoa, independentemente de ser mais ou menos sénior [na empresa]», afirma Darren Shirley, citado pelo Just Style.
Quanto a números – os resultados financeiros interinos deverão ser apresentados, tal como planeado, a 29 de abril –, «esperamos também que a Primark esteja a progredir bem ao nível do grupo, não estando imune a um mercado de vestuário britânico bastante afetado no primeiro trimestre do ano civil de 2025, embora o recente tempo solarengo talvez esteja a ajudar a saída do primeiro semestre», afirma o analista da Shore Capital, que aponta possíveis melhorias na Alemanha e nos Países Baixos e crescimento no resto da Europa.




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