Marcas de luxo envolvidas em investigação em Itália

A polícia italiana visitou nove empresas de moda de luxo, incluindo Chanel e Brunello Cucinelli, em busca de documentação sobre o controlo das cadeias de aprovisionamento, no âmbito de uma investigação a alegadas situações de exploração de trabalhadores por subcontratados.

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Brunello Cucinelli, Moncler, Chanel, Bulgari, Jacob Cohen Company, Etro, Stefano Ricci, Goyard Italie e Owenscorp Italia foram as marcas visitadas, indica a Reuters, que acrescenta que nenhuma das nove empresas está a ser investigada diretamente.

Em comunicado citado pela Reuters, a Cucinelli afirmou estar surpreendida e profundamente entristecida pelo facto de alguns dos materiais destinados às suas embalagens terem sido encontrados num local de trabalho inadequado, apesar das verificações realizadas aos fornecedores e da prática de preços justos. A empresa comprometeu-se a colaborar plenamente com as autoridades para proteger os trabalhadores e o Made in Italy.

Já a Chanel indicou estar a colaborar plenamente com as autoridades italianas numa investigação sobre exploração laboral que envolve subcontratados da cadeia de aprovisionamento de artigos de luxo.

A casa de moda francesa acrescentou que tomou medidas, há várias semanas, para cortar relações com o subcontratado em causa, tendo instruído o seu fornecedor de embalagens a pôr termo à relação dois dias depois de receber um alerta, a 18 de maio. O processo de rescisão do contrato foi iniciado de imediato. «As informações divulgadas pelos meios de comunicação social já eram do conhecimento da Chanel», revelou a Chanel num comunicado citado pela Reuters.

A operação, realizada na passada quinta-feira, 16 de julho, é a segunda do género, depois de a unidade laboral dos Carabinieri de Milão ter levado a cabo uma ação semelhante, em dezembro de 2025, nas sedes de outras 13 marcas de moda, incluindo Gucci, Prada e Dolce & Gabbana, devido às mesmas questões.

Segundo um decreto de nove páginas consultado pela Reuters, as marcas agora abrangidas foram incluídas na investigação depois de a polícia ter encontrado produtos e documentos de subcontratação relacionados com estas empresas durante buscas anteriores a duas empresas acusadas de explorar trabalhadores chineses sem documentação.

As duas empresas, detidas por cidadãos chineses, produziam sacos de proteção de vestuário, sacos de compras e bolsas para a Brandart e a F. VL., duas empresas igualmente visitadas pelos Carabinieri na quinta-feira. Estas forneciam os artigos diretamente às nove marcas de moda, que os comercializavam com as suas próprias insígnias.

A operação surge na sequência de uma investigação que levou sete outros grupos de moda a serem colocados sob administração judicial, numa série de processos que prejudicaram a imagem da indústria ao longo dos últimos três anos.

O tribunal de Milão levantou posteriormente as medidas aplicadas às sete empresas, depois de estas terem ajustado as suas práticas às exigências dos juízes.