IA acelera triagem têxtil na China

Uma máquina com inteligência artificial está a otimizar o processo de triagem ao separar peças de vestuário por composição a alta velocidade, aumentando a eficiência, reduzindo resíduos e diminuindo a dependência de processos manuais.

[©DataBeyond]

A Fastsort-Textile, eleita uma das “Melhores Invenções de 2025” pela revista Time, opera num parque industrial em Zhangjiagang, na costa leste da China, na instalação de reciclagem têxtil da Shanhesheng Environmental Technology, onde foi instalada no ano passado, avança a Associated Press.

Desenvolvida pela empresa chinesa DataBeyond, a tecnologia permite analisar e separar vestuário usado com base no tipo de fibra em menos de um segundo por peça, recorrendo a um scanner de grandes dimensões e a um sistema de correias transportadoras.

Com recurso a inteligência artificial, a Fastsort-Textile consegue classificar 100 quilogramas de têxteis em dois a três minutos, enquanto um trabalhador demoraria cerca de quatro horas a realizar a mesma tarefa, com menor precisão. Por hora, a capacidade de processamento atinge duas toneladas, enquanto duas pessoas precisariam de dois dias, segundo a análise da Shanhesheng.

«Podemos aproveitar ao máximo os resíduos têxteis e reduzir a quantidade que é incinerada, o que será uma grande ajuda para a reciclagem de recursos», indica Mo Zhuoya, CEO da DataBeyond.

Cui Peng, gestor de vendas da Shanhesheng, sublinha que «este tipo de solução poupa tempo e dinheiro com a mão de obra. Quando as pessoas separam os materiais, não conseguem determinar com precisão se são 80% ou 90% de poliéster. Esta máquina raramente comete erros».

Após o processo de digitalização, os têxteis são encaminhados para diferentes áreas de triagem para posterior reciclagem, enquanto os que não cumprem os requisitos seguem para aterros ou incineração. Segundo dados da empresa, a introdução da Fastsort-Textile reduziu de 50% para 30% a quantidade de materiais considerados não recicláveis.

Li Bin, diretor de vendas da Shanhesheng, realça que «agora, embora as máquinas já sejam capazes de fazer a triagem, a energia das pessoas é limitada. As pessoas não podem trabalhar 24 horas seguidas, por isso os robôs poderão acabar por assumir essas funções. O objetivo final é uma “fábrica escura” com os robôs a funcionar 24 horas por dia».