Global Change Award reconhece 10 inovações

Com soluções focadas em materiais, produção e reciclagem para acelerar a transição para uma indústria descarbonizada, os vencedores vão receber 200 mil euros e integrar um programa de desenvolvimento de um ano.

[©H&M Foundation]

Os 10 galardoados da edição de 2026 do Global Change Award foram anunciados pela Fundação H&M, reunindo iniciativas que procuram responder a desafios em diferentes etapas da cadeia de valor têxtil, desde o desenvolvimento de novos materiais até à reciclagem e prolongamento da vida útil dos produtos.

«Conhecer os vencedores deste ano foi uma verdadeira alegria. Estou impressionada não apenas com a força das suas ideias, mas também com as pessoas por detrás delas. A sua determinação, criatividade e coragem são realmente impressionantes. Estas dez equipas estão a enfrentar pontos críticos ao longo de toda a cadeia de valor têxtil, com soluções moldadas pelas realidades e comunidades que as rodeiam», afirma Beatrice Oldenburg, gestora de projetos da Fundação H&M.

Matérias-primas naturais e recicladas

Entre os projetos distinguidos está a Agro-Lyocell, da indiana Canvaloop, que transforma resíduos agrícolas em fibras celulósicas regeneradas, substituindo matérias-primas derivadas da madeira e oferecendo uma alternativa sem recurso às florestas para a produção têxtil.

Também da Índia, a Microbeworks produz o MicroBlue, um corante têxtil biodegradável obtido através de fermentação microbiana, concebido para funcionar nos sistemas de tingimento existentes sem necessidade de novas infraestruturas.

Agro-Lyocell [©H&M Foundation]
A norte-americana Rhea’s Factory foi distinguida pelo projeto RheaCycle, que utiliza enzimas criadas com recurso a inteligência artificial para decompor poliéster presente em resíduos têxteis em componentes puros que podem ser novamente transformados em fibras.

A francesa Fiberly extrai celulose de têxteis descartados e reestrutura-a para replicar o aspeto e toque do algodão, recorrendo a processos de química verde para preservar o desempenho das fibras.

A britânica Tera Mira converte algas em fibras através de um processo de fiação húmida sem solventes e a baixa temperatura, criando uma alternativa de base biológica ao elastano.

Já a sueca ArtSilk utiliza microrganismos para produzir fibras inspiradas na seda de aranha, resultando num material de elevado desempenho, de base biológica, reciclável e biodegradável.

E a Keltex, da Tanzânia, combina o cultivo de algas otimizado por inteligência artificial com extração de biopolímeros para desenvolver materiais biodegradáveis destinados a substituir o couro animal e sintético.

Keltex [©H&M Foundation]
Tecnologia e rastreabilidade

A Alu, dos EUA, desenvolveu uma plataforma digital que transforma passaportes digitais de produto em ferramentas interativas, ajudando marcas e consumidores na reparação, revenda, aluguer e reciclagem e contribuindo para manter os produtos em utilização durante mais tempo.

No Reino Unido, a EntroMetrix desenvolve modelos de inteligência artificial para criar um gémeo digital da produção, permitindo aos produtores identificar ineficiências e otimizar o consumo de energia e materiais.

threadBridge [©H&M Foundation]
Por fim, a threadBridge, do Bangladesh, desenvolveu óculos inteligentes com inteligência artificial para detetar, em tempo real, defeitos em têxteis e gerar relatórios digitais, ajudando a prevenir desperdícios e a melhorar a eficiência.

Cada vencedor receberá uma subvenção de 200 mil euros e integrará o GCA Changemaker Programme durante um ano. Segundo a organização, o programa combina pensamento sistémico, apoio especializado e ligações à indústria para ajudar a transformar ideias em fase inicial em soluções que possam ser testadas, aperfeiçoadas e implementadas em contexto real.