DyeLoop prepara instalação do primeiro protótipo

A tecnologia desenvolvida na Universidade de Coimbra, que tem como objetivo reduzir a poluição e os custos associados ao tingimento através do reaproveitamento de efluentes ainda com cor, vai começar a ser testada na ATB.

[©Fundação Calouste Gulbenkian]

Nuno Mendonça, vice-reitor para a Inovação, Relação com Empresas e Empregabilidade da Universidade de Coimbra, e o CEO da ATB, Ricardo Mano, assinaram hoje o protocolo para a instalação do protótipo. O momento contou ainda com a presença da equipa de investigação do projeto DyeLoop, da UCBusiness – Divisão de Transferência de Tecnologia da Universidade de Coimbra e de colaboradores da empresa.

Ao abrigo deste acordo, a ATB será a primeira empresa a acolher o protótipo e a realizar os ensaios iniciais de avaliação da adequabilidade da tecnologia Dyeloop ao contexto industrial, uma etapa considerada determinante.

O protótipo encontra-se na fase final de desenho, estando previsto o arranque da construção ainda no primeiro semestre deste ano, viabilizado pelo financiamento de 1,4 milhões de euros atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian no início de 2025.

«Estamos a assinar o protocolo agora também para definir as condições do ponto de vista da adequação à infraestrutura existente e volumes a processar, por exemplo. A ideia é que, em 2027, sejam feitos os primeiros testes do protótipo», adianta Jorge Pereira, docente do Departamento de Engenharia Química da FCTUC e investigador do CERES, que lidera o projeto.

Jorge Pereira na apresentação do projeto na BioCirTex [©LinkedIn Jorge Pereira]
O Dyeloop pretende transformar o paradigma do tingimento têxtil através do reaproveitamento de efluentes ainda com cor. A tecnologia permite reintegrar os corantes no processo produtivo, com base numa abordagem circular, promovendo simultaneamente a recuperação e reutilização da água, corantes e aditivos utilizados. A expectativa é que a solução possibilite uma redução superior a 50% nos custos associados ao processo de tingimento, para além de benefícios económicos e ambientais adicionais, decorrentes da diminuição do consumo de água, matérias-primas e energia.

Desde as primeiras fases do projeto, o interesse da indústria foi significativo, revela Jorge Pereira. «Tivemos contacto com várias empresas, tanto a nível nacional como algumas internacionais, para conhecerem a tecnologia», refere, acrescentando que, entre as interessadas, a ATB se destacou pelo seu perfil técnico e experiência no tingimento e acabamento. O apoio da Fundação Gulbenkian permitiu a otimização da tecnologia, o seu dimensionamento e o desenvolvimento e construção do protótipo à escala industrial. «Temos várias indústrias interessadas, mas só temos um protótipo nesta primeira fase e temos de escolher um parceiro para iniciar o processo», sublinha, adiantando que a empresa de Barcelos «vai ter um envolvimento maior no desenvolvimento e na implementação a nível industrial, que também é importante».

Ricardo Mano e Nuno Mendonça na assinatura do protocolo [©ATB]
Em comunicado, a ATB salienta que «tendo acompanhado o projeto desde a sua fase inicial, através de uma colaboração próxima com a Universidade de Coimbra», este é «um novo e significativo passo no aprofundamento desta parceria, assumindo um papel ativo na validação industrial da tecnologia. Este acordo evidencia a importância de empresas abertas à inovação, como a ATB, bem como a necessidade de financiamento adequado para o scale-up industrial de tecnologias emergentes, neste caso, assegurado pela Fundação Calouste Gulbenkian e apoiado pelo projeto INOVC+».

O objetivo é que a colaboração permita a validação da tecnologia Dyeloop para a sua introdução no mercado. «A ideia é que a tecnologia possa ser depois amplificada para todo o setor», conclui Jorge Pereira.