De acordo com a empresa americana de reciclagem Circ, o Fiber Club procura resolver dois dos principais obstáculos à reciclagem têxtil: as quantidades mínimas de encomenda e os preços elevados que limitam a adoção de novos materiais. O modelo agrega a procura dos vários parceiros ao longo de toda a cadeia de produção, da celulose ao fio, permitindo que as marcas avancem dos projetos-piloto para o lançamento comercial de produtos.
As três marcas que se juntam ao projeto, Madewell, Reformation e C&A, vão desenvolver coleções com Tencel, produzido com 30% de celulose Circ proveniente de resíduos têxteis de misturas de poliéster e algodão reciclados, recorrendo à tecnologia Refibra. A Circ fornece a celulose reciclada, que a Lenzing converte em fibras de liocel, sendo depois a Linz Textil a transformá-las em fios. Cada marca nomeia os seus próprios produtores de têxteis e vestuário, garantindo a integração nas cadeias de aprovisionamento existentes.
A iniciativa, que tem como parceiros inaugurais a Bestseller, Eileen Fisher, Everlane, Zalando, Arvind, Birla Cellulose e Foshan Chicley, surge num momento em que a pressão regulatória se intensifica tanto na Europa como nos EUA, com as políticas de responsabilidade alargada do produtor a obrigarem as marcas a assumir maior responsabilidade pelos resíduos têxteis.
«Com a tecnologia da Circ comprovada, a próxima fase de expansão é reduzir as barreiras à comercialização. As marcas estão cada vez mais a enfrentar pressão do mercado para reduzir o desperdício e usar materiais melhores e há um entendimento comum em toda a indústria de que o status quo não pode continuar. O modelo do Fiber Club opera dentro dos sistemas de produção existentes para lidar com os custos e a complexidade que têm impedido as marcas, tornando os materiais circulares viáveis atualmente», afirma Peter Majeranowski, CEO da Circ.
Entre os parceiros, Nikki Player, diretora sénior de matérias-primas da Reformation, destaca o impacto prático do modelo. «Ao remover as restrições tradicionais de volume, deram-nos um caminho muito mais claro e rápido para desenvolver e integrar fibras de última geração e com maior conteúdo reciclado no nosso portfólio estratégico de materiais de longo prazo. Isso tornou todo o processo de expansão de materiais sustentáveis muito mais colaborativo e viável», refere.
Do lado do Lenzing Group, Jemma Breen, diretora de marcas globais e retalhistas, sublinhou que a «verdadeira circularidade nos têxteis não acontecerá apenas por meio de projetos-piloto – precisa de colaboração e escala. O Fiber Club é um passo importante para preencher essa lacuna, e temos orgulho de fazer parceria com pioneiros como a Circ para ajudar as marcas a integrar materiais circulares nas cadeias de abastecimento existentes. Ao reduzir as barreiras à comercialização e trabalhar com tipos de fibras comprovadas, como o Tencel e a tecnologia Refibra, esperamos transformar a ambição em adoção real e escalável».




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