Acessórios dificultam reciclagem têxtil

Um relatório da Accelerating Circularity alerta que materiais como fechos, linhas, etiquetas ou adesivos incorporados nas peças de vestuário impactam a reciclagem têxtil, identificando-os como um dos maiores entraves à circularidade do setor.

[©Accelerating Circularity]

O documento “Toward Circular Systems for Trims and Ignored Materials (CSTIM): Challenges and Opportunities” indica que apesar deste tipo de componentes, referidos como «materiais ignorados», serem de pequena dimensão, podem dificultar os processos de recuperação de fibras, contaminar os fluxos de reciclagem e impedir a criação de matérias-primas recicláveis.

Convocado em 2023 pela Accelerating Circularity, o grupo de trabalho do CSTIM analisou o impacto dos fechos, linhas, etiquetas, colas e elementos decorativos, reunindo um conjunto de empresas e especialistas. Entre os participantes do grupo contam-se empresas como a Avery Dennison, YKK, Nilorn, Refiberd, Tomra, Valvan, GR3N, Cyclone, Looptworks e Homeboy Threads, que contribuíram para mapear o panorama dos acabamentos e acessórios e identificar «as oportunidades para uma recuperação e gestão escaláveis dos materiais de acabamento, com ênfase na remoção, reutilização ou reciclagem automatizada».

O relatório identifica barreiras tecnológicas, operacionais e de mercado, apontando que «a ausência de padrões partilhados e de processos comuns de certificação da qualidade da matéria-prima» aumenta os custos operacionais, desencoraja o investimento e limita a interoperabilidade em todo o sistema.

Assim, a organização defende a criação de um conjunto «harmonizado de especificações e de estruturas de partilha de dados» como passo fundamental para um sistema circular integrado e escalável.

Para promover a circularidade de acabamentos e dos materiais ignorados, o grupo de trabalho do CSTIM propõe reforçar a triagem e o pré-processamento manuais e automatizados para lidar com entradas de materiais com misturas de fibras; recomenda avançar no campo da tecnologia da reciclagem para gerir conjuntos complexos de produtos; trabalhar o design com foco na desmontagem, garantindo que os acabamentos e os acessórios possam ser facilmente removidos ou reciclados com outros têxteis; e apela à colaboração intersectorial entre marcas, recicladores e inovadores para alinhar padrões e sistemas de dados.

Segundo a Accelerating Circularity, «sem automatização, o pré-processamento não consegue acompanhar o volume crescente de têxteis pós-consumo necessário para alimentar as novas tecnologias de reciclagem». O relatório propõe ainda a utilização de passaportes digitais de produto que permitam identificar rapidamente a composição dos acessórios durante a triagem automática. «A circularidade têxtil só será alcançável quando o design, a triagem e a reciclagem falarem a mesma linguagem», concluem os autores.