Com sede na Vila de Cucujães, em Oliveira de Azeméis, a D’Heritage estreou-se com uma coleção de 22 referências centrada na camisaria, para a qual recorreu a materiais como linho e algodão orgânico, além de contar com peças de marroquinaria, produzidas por encomenda.
A história da marca remonta a outubro de 1974, quando Mário Pimenta Gonçalves fundou uma unidade dedicada à camisaria e ao fardamento, que encerrou em 2024. Segundo Diogo Gonçalves, neto do fundador da extinta produtora de vestuário e fundador da D’Heritage juntamente com o pai, a subida dos custos do fio, energia e salários, além do impacto provocado pela pandemia e pela deslocação de encomendas para mercados com custos de produção mais baixos, estiveram na origem do encerramento. «Não fomos um caso isolado e isso também pesou: quando fecham dezenas de empresas à volta, fecham clientes e fornecedores ao mesmo tempo e perde-se dos dois lados», explica ao Portugal Têxtil.

O desenvolvimento do produto é realizado internamente, incluindo a seleção de materiais. A confeção, os acabamentos, as etiquetas e a embalagem são integralmente portugueses, enquanto as matérias-primas e o tingimento têm, em grande parte, origens como a Bélgica, Espanha e Turquia. A modelagem é assegurada por uma profissional que trabalha há vários anos com a família, enquanto a confeção é realizada por três ateliers parceiros da região, selecionados com base na qualidade de execução, capacidade para séries curtas, cumprimento de prazos e condições de trabalho.
Marca levanta voo
A D’Heritage dispõe também de uma linha dedicada ao vestuário profissional de aviação, a D’Heritage Aviation, que inclui ainda bonés e malas. «Não foi propriamente uma diversificação, foi um regresso», explica o fundador sobre a D’Heritage Aviation, recuperando a experiência da empresa familiar na produção de fardamento. A linha foi desenvolvida para responder às exigências específicas do trabalho a bordo, incluindo resistência, conforto e utilização prolongada das peças. «O potencial está em ser um canal mais previsível. O vestuário profissional responde a uma necessidade concreta e tem uma lógica de reposição que a moda não tem», salienta.

O território nacional é, para já, o principal mercado, com Espanha a surgir como o próximo mercado prioritário, seguindo-se outros mercados europeus onde a produção portuguesa já possui reputação.
Para Diogo Gonçalves, o maior desafio é chegar ao consumidor. «Sabemos fazer o produto, é aquilo que a nossa família faz há mais de cinquenta anos. Uma confeção trabalha para um número limitado de clientes e conhece-os. Uma marca pode trabalhar para milhares de pessoas e não conhecer nenhuma. Isso muda tudo: a linguagem, o tempo de resposta, a forma de apresentar o produto e até a necessidade de explicar porque é que uma camisa custa aquilo que custa», sublinha.
Entre as prioridades para 2026 estão a consolidação da camisaria, a entrada no canal multimarca e o lançamento da coleção de inverno, que incluirá a primeira peça de vestuário de exterior. Para o fundador, a repetição de compra é um dos principais indicadores para avaliar o desempenho da marca no primeiro ano. «Não é vender uma camisa, é vender a segunda à mesma pessoa», sublinha Diogo Gonçalves.
No futuro, a D’Heritage admite a possibilidade de ter produção própria, embora isso dependa da evolução do volume de vendas. «É uma ambição, não um plano com data marcada. Só fará sentido quando o volume o justificar. Até lá, o modelo de oficinas parceiras dá-nos flexibilidade e evita custos fixos que sabemos como podem pesar quando o mercado muda», resume o fundador.




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