Re.store é finalista dos Prémios dos Fundos Europeus

A marca portuguesa de reutilização têxtil disputa o prémio na categoria Portugal + Verde, com um projeto apoiado por fundos europeus que combina economia circular, produção de novos artigos e inclusão social.

[©re.store]

Esta é a segunda edição dos Prémios dos Fundos Europeus e a re.store, que recebeu um financiamento de aproximadamente 55,4 mil euros do programa Norte 2020, concorre com mais quatro candidatos, todos de áreas fora da indústria têxtil e do vestuário. A categoria Portugal + Verde premeia «projetos que contribuam para o combate às alterações climáticas, para a transição verde, aumentem a eficiência energética, ampliem o uso de energias renováveis e impulsionem a inovação, a economia circular e a mobilidade sustentável», indica a organização.

Sílvia Correia, fundadora e CEO da re.store, considera que a seleção do projeto reconhece a possibilidade de conciliar sustentabilidade ambiental, inovação, inclusão social e criação de valor económico. «Mais do que distinguir um projeto, esta nomeação valoriza uma visão: a de que o desperdício não tem de ser o fim de um ciclo, mas pode representar o início de novas oportunidades para os materiais, para as empresas, para os territórios e, acima de tudo, para as pessoas. Naturalmente, esta distinção traz-nos maior visibilidade e credibilidade, duas dimensões particularmente importantes para uma empresa que está a desafiar modelos convencionais de produção e consumo. Permite-nos chegar a novos públicos, sensibilizar mais organizações para o potencial do upcycling têxtil e abrir portas a parcerias que podem ser determinantes para a nossa ambição de crescimento e de expansão para outros territórios», afirma.

O público pode votar na plataforma oficial dos Prémios dos Fundos Europeus. Os finalistas vão apresentar os respetivos projetos perante o júri a 5 de novembro, no Centro de Congressos de Lisboa, seguindo-se a deliberação e a cerimónia de entrega dos prémios.

Desafios técnicos e económicos

Criada em 2020, a re.store transforma excedentes têxteis industriais em novos produtos, através de um modelo que liga 19 empresas fornecedoras de materiais a uma rede de 30 parceiros sociais, envolvendo, indiretamente, 60 pessoas. Desde a sua criação, a marca já reutilizou 10 toneladas de materiais têxteis e 73 ações de sensibilização, incluindo workshops e conferências.

Sílvia Correia identifica a irregularidade dos resíduos têxteis como um dos principais obstáculos à expansão da reutilização, devido às variações na composição, dimensão, cor, estado de conservação e quantidade dos materiais disponíveis. «Isso exige triagem, criatividade técnica, capacidade de adaptação e processos de desenvolvimento muito mais flexíveis do que os da produção linear», explica.

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Do ponto de vista económico, a fundadora da re.store salienta os custos associados à recolha, separação, higienização, desenvolvimento, mão de obra e produção em pequena escala. «Além disso, o mercado ainda compara muitas vezes produtos circulares com produtos convencionais apenas pelo preço, sem incorporar o valor ambiental, social e pedagógico que está associado à reutilização», acrescenta.

«A nossa abordagem não é apenas “fazer produtos com desperdícios”. É demonstrar que os desperdícios têxteis podem dar origem a novas propostas de valor para empresas, municípios, instituições e comunidades», conclui Sílvia Correia.