Zeeman destaca avanços na sustentabilidade

A multinacional neerlandesa especializada em vestuário e produtos têxteis básicos, que já tem lojas em Portugal, publicou o relatório de responsabilidade social e corporativa onde revela usar mais matérias-primas sustentáveis e pagar melhores salários.

[©Zeeman]

Em 2023, ano em que chegou a Portugal, onde tem loja online e cinco pontos de venda físicos concentrados na zona norte, a retalhista afirma ter dado «passos importantes nas áreas de sustentabilidade, salário digno e circularidade», refere em comunicado.

Na área da sustentabilidade, a Zeeman destaca que 71% dos têxteis foram produzidos com materiais sustentáveis em 2023 (em comparação com 53% em 2022), sendo que 93% de toda a roupa e têxteis de algodão da empresa foram fabricados com algodão mais sustentável (face a 75% em 2022) e 13% da coleção têxtil é fabricada com materiais reciclados (4,6% no ano anterior).

«A nossa oferta não é afetada pelas tendências e os nossos clientes podem utilizar os nossos produtos durante muito tempo. A nossa missão é manter os têxteis básicos produzidos de forma justa e a preços acessíveis para todos, tendo sempre em conta as pessoas, o ambiente e a sociedade. Na Zeeman chamamos a isto ser Zuinig (económico, frugal) de coração», explica Erik-Jan Mares, CEO da Zeeman.

Este conceito de Zuinig aplica-se nas diversas áreas. No ambiente, em 2023, a empresa deu início a uma medição que coloca 2022 como a estaca zero, para obter informação sobre o impacto ambiental de toda a sua cadeia de valor, da fábrica à loja.

«A base de referência já proporcionou muitos dados e está a impulsionar o cumprimento de objetivos. Por exemplo, a Zeeman passou a utilizar eletricidade verde como padrão quando os contratos de energia chegam ao fim, começou a tomar medidas para tornar o transporte marítimo mais sustentável, tem vindo a expandir a venda de roupas de segunda mão (revenda), e as novas lojas vão ser equipadas com portas deslizantes que contribuem para uma maior poupança de energia», enumera um comunicado.

Em termos de economia circular, além da utilização de matérias-primas recicladas, a Zeeman permite a entrega de vestuário em segunda-mão em 1.043 lojas, o que levou à recolha de 34.109 peças de roupa em 2023, que receberam uma segunda vida, em colaboração com a fundação Het Goed.

Salários dignos e transparência

No que diz respeito às pessoas, a retalhista neerlandesa afirma ter como meta dar boas condições de trabalho nas suas fábricas, sendo auditada de forma independente todos os anos. Em 2023 obteve a classificação Bom por parte da Fair Wear.

Há cerca de cinco anos, a Zeeman iniciou ainda um programa de salário digno – onde a diferença entre o salário mínimo e o salário digno, que permite aos colaboradores sustentarem a família, é colmatada pela Zeeman –, primeiro no Paquistão, que em 2023 estava em vigor em quatro fábricas, e atualmente também no Bangladesh, Índia e Turquia, representando, em conjunto, 12% do valor total das compras têxteis.

Inauguração da loja da Zeeman em Braga [©Câmara Municipal de Braga]
Desde 1 de janeiro de 2024, sublinha a empresa, há cinco novos fornecedores – um na China, dois no Paquistão, um no Bangladesh e um na Índia – onde a Zeeman oferece salário digno. «Estes 10 fornecedores vão representar 25% do valor total de aquisição de têxteis até ao final de 2024», antecipa.

«No ano passado demos passos muito importantes, mas percebemos, mais do que nunca, que não podemos fazer este caminho sozinhos. Com mais de 1.350 lojas, a Zeeman não é grande o suficiente para transformar toda a indústria têxtil e torná-la sustentável. É por isso que procuramos energicamente estabelecer parcerias com outras empresas e estamos sempre abertos a perguntas críticas e boas ideias. Apesar de estarmos na direção certa, ainda temos um longo caminho a percorrer», acredita Erik-Jan Mares.

A empresa foi também nomeada pelo Transparency Benchmark como o retalhista mais transparente nos Países Baixos. «O facto de termos sido votados como o retalhista mais transparente nos Países Baixos é um grande elogio para tudo o que a Zeeman representa», afirma o CEO da Zeeman. «Em 2023 voltámos a dar passos importantes no que toca à responsabilidade social corporativa. Reconhecemos cada vez mais que, embora tenhamos trabalhado durante anos para tornar a cadeia de abastecimento mais sustentável em todos os aspetos, ainda temos uma enorme tarefa pela frente. Temos também outra ambição importante: acreditamos que os têxteis básicos devem permanecer acessíveis e disponíveis para todos. Por um lado, porque os bebés e as crianças vão continuar a crescer e a precisar de roupas novas, e também porque todos nós precisamos de meias e roupa interior. O desafio é equilibrar estas duas grandes ambições», conclui.