Zara inova no digital

A marca da Inditex tem vindo a implementar inovações para se manter na liderança e continuar a ter um império no retalho. Desde aventurar-se no metaverso a colaborações no campo da tecnologia, a Zara procura adotar novas estratégias para se manter à frente da concorrência.

[©Zara]

Com 2.500 lojas em todo o mundo (segundo os números de janeiro), a maior parte das quais na Europa, mas com uma presença considerável também na Ásia e nos EUA, a Zara teve a melhor performance do grupo em 2021, com as vendas a atingirem os 20 mil milhões de euros, de acordo com os números da Statista.

Segundo o WGSN, que cita o relatório da Inditex Horizonte 2022, a Zara começou a definir as suas ambições no domínio do digital em 2018, tendo estabelecido a implementação de estratégias entre 2020 e 2022. A retalhista investiu 2,7 mil milhões de euros para acelerar as suas metas virtuais, com mil milhões de euros dedicados a «impulsionar as capacidades online» e 1,7 mil milhões de euros para «atualizar a plataforma integrada de lojas». Muitos dos seus esforços até ao momento tem sido bem sucedidos, tendo a Inditex anunciado um crescimento de 77% nas vendas digitais em 2021, com uma subida de 39% nos lucros brutos. Tendo em conta todos os seus feitos online, a Zara espera atualmente que as vendas digitais superem os 30% do seu volume de negócios até 2024.

Ponto de entrega automático [©Inditex]
A Zara está a encontrar consumidores híbridos através da rapidez e conveniência, apoiando-se em novas ferramentas como a sua iniciativa Store Mode, que oferece uma experiência de compra automática ao cliente. A Zara foi também uma das primeiras a entrar no metaverso com uma coleção figital colaborativa com a marca sul-coreana Ader Error, que está disponível nas lojas e na plataforma sul-coreana de metaverso Zepeto.

5 áreas de inovação

O WGSN destaca cinco áreas essenciais onde a Zara está a liderar a inovação no espaço digital e a responder às exigências dos consumidores digitais: formatos de retalho automatizados; inteligência artificial na cadeia de aprovisionamento; metaverso; arte digital; e colaborações tecnológicas.

Nos últimos dois anos, a Zara tem feito incursões para tornar a sua experiência em loja o mais fácil possível para os consumidores que dão prioridade à rapidez e facilidade. No final de 2020, lançou o sistema One Platform e investiu 1,7 mil milhões de euros para desenvolver este sistema digital avançado. A retalhista lançou uma nova ferramenta batizada Store Mode, dentro da One Platform, inicialmente pensada para melhorar o processo de recolha em loja de encomendas online, mas que entretanto foi integrada em 490 lojas Zara. Estas lojas têm pontos de recolha automáticos onde os consumidores podem ou fazer o scan de um código QR da sua app Zara através de uma máquina instalada nas lojas ou fazer o scan de artigos com a ajuda de um colaborador da loja. «A combinação da Zara de pontos de contacto físicos e da tecnologia digital está a ajudar a que seja pioneira numa nova experiência de compra fácil, assim como a dar poder aos consumidores para passarem pelas várias fases do processo de compra nos seus próprios termos», sublinha o gabinete de tendências.

Loja no One
New Change [©Landsec]
A Zara abriu ainda, em outubro, uma loja no centro comercial One New Change, em Londres, que permite que os consumidores recolham produtos apenas 30 minutos depois de terem feito a compra online. Os consumidores podem ainda fazer o scan de um artigo na loja, que aciona a geolocalização do artigo através de um mapa, que os direciona para onde se encontra o produto. Através de uma app em loja, os consumidores podem também ter acesso à funcionalidade clique & experimente, através da qual podem reservar provadores em tempo real ou antes de visitarem a loja. Quando os consumidores estiverem prontos para recolher os artigos comprados, podem simplesmente scan um código QR na app que manda um braço robótico recolher a encomenda do armazém e a coloca num quiosque específico para a recolha.

Lime Glam [©Zara]
Ao nível da cadeia de aprovisionamento, a retalhista tem investido em tecnologias para melhorar o seu sistema de gestão de stocks e num novo motor de análise desenvolvido em parceria com o MIT. Pioneira na utilização de tecnologia de identificação por radiofrequência (Rfid), atualmente o sistema está operacional em 700 lojas e fornece à retalhista informação em tempo real sobre os produtos (incluindo tamanho e cor), a possibilidade de seguir os artigos ao longo da cadeia de aprovisionamento, assim como informação como estão a decorrer as vendas de determinado produto.

O metaverso é uma aposta mais recente. Em dezembro de 2021, a Zara anunciou a parceria com a Ader Error e lançou a AZ Collection. De acordo com o WGSN, o metaverso pode desbloquear uma oportunidade potencial de 8 biliões de dólares de volume de negócios e entrar nesta área pode ajudar a Zara a explorar novas liberdades criativas e chegar a novos consumidores em novas plataformas como a Zepeto, que tem mais de 300 milhões de utilizadores em todo o mundo, 80% dos quais entre os 10 e os 20 anos, tendo vendido 2,3 mil milhões de dólares em artigos virtuais desde 2018. Já em março, a Zara regressou à Zepeto para lançar a metacoleção Lime Glam, também com peças disponíveis em formato digital e físico.

Montra na loja do SoHo [©Shane Fu Instagram]
A tecnologia, nomeadamente a arte digital, tem igualmente sido usada pela Zara, nomeadamente para transformar as lojas de retalho e motivar o envolvimento do consumidor. Em agosto, a retalhista contratou o artista digital Shane Fu para criar uma montra, que se tornou viral, na loja do SoHo, em Nova Iorque, que partilhou no TikTok com a legenda “Passando na nossa loja do SoHo». A publicação bateu os recordes de feedback (20,3 milhões de visualizações e 10 mil comentários) e encorajava os transeuntes a passarem pelo espaço – só para perceberem que afinal não existia. Em dezembro a Zara também contratou o artista 3D Oliver King para reimaginar a loja da Vittorio Emanuele, em Milão, criando uma mostra subaquática. A Zara tem atualmente presenças habituais de artistas 3D no TikTok.

Ao nível tecnológico, a Zara tem ainda feito parcerias. Em 2021, anunciou mesmo planos para trabalhar com mais de 145 start-ups. Numa tentativa de escalar as suas inovações, a primeira iniciativa foi com a start-up Lanza, uma empresa que usa tecnologia de fermentação de gás para criar tecidos, com a qual criou uma coleção de vestidos pretos feitos com a tecnologia de captação de carbono LanzaTech que converteu emissões de carbono em fio de poliéster.

Em dezembro, a retalhista fez ainda uma parceria com a plataforma digital de fitness TRX e ofereceu acesso exclusivo aos consumidores de seis meses de planos de treino através do TRX Training Club.