Xinjiang produz mais algodão

No ano passado, apesar de uma aparente redução nas exportações, a produção de algodão aumentou em Xinjiang, com as autoridades chinesas a atribuírem o crescimento à inovação tecnológica e à promoção do cultivo a grande escala.

[©Pixabay-Juan Pablo Gonzales Delgado]

Segundo um artigo publicado no Global Times, a competitividade do algodão produzido na região está a aumentar, com colheitas médias por mu (medida equivalente a 0,067 hectares) de 143,85 quilos, «o dobro da dos EUA e quase o mesmo nível da Austrália», refere. No total, em 2023 a região terá produzido 5,11 milhões de toneladas de algodão, o que representa 91% da colheita chinesa e um quinto da produção nacional, indica, citado no artigo, Liang Yong, membro do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, membro da Associação Chinesa de Promoção da Democracia, um dos oito partidos não comunistas da China, e diretor do gabinete de desenvolvimento da indústria de algodão de Xinjiang.

«Apesar de uma queda nas exportações de têxteis e vestuário produzidos com algodão de Xinjiang para os EUA, a China ainda é a maior consumidora de algodão, assim como a maior exportadora de têxteis e vestuário», sublinha Liang Yong.

O responsável sustenta que a competitividade da indústria de algodão de Xinjiang está a subir de ano para ano, alimentada pela inovação tecnológica e pela promoção do cultivo a grande escala. Como exemplo, destaca que a taxa de mecanização geral na colheita de algodão atingiu 89% em Xinjiang, em comparação com 21% em 2014.

Os próximos passos, aponta Liang Yong, serão a rastreabilidade e certificação da qualidade do algodão cultivado localmente, assim como a criação e desenvolvimento de marcas locais.

A indústria está ainda a expandir-se para novos mercados externos, com destaque para os países parceiros da chamada nova Rota da Seda. «Xinjiang tem uma vantagem geográfica, pois faz fronteira com oito países, incluindo Cazaquistão, Rússia, Índia e Paquistão. A região também abriga cerca de 20 portos fronteiriços, incluindo 17 portos fronteiriços terrestres e três portos de aviação. A maioria dos comboios de carga China-Europa também passam por Xinjiang», salienta Liang Yong.

O responsável acredita que esta vantagem geográfica, a somar a um custo de produção relativamente baixo e ao apoio político, criarão condições para que Xinjiang se torne o centro do cluster da indústria têxtil ocidental da China, que exporta principalmente para a Ásia Central, Ásia Ocidental, Sul da Ásia e Europa. «Tal cenário é previsível nos próximos cinco anos», conclui.