Walmart perde vendas

A Walmart Stores registou a quinta queda consecutiva nas vendas trimestrais nos EUA para o mesmo número de lojas e revelou a intenção de focalizar-se na redução dos gastos para impulsionar os lucros deste ano, enquanto o sentimento do consumidor continua apático. O maior retalhista do mundo registou um lucro trimestral superior ao esperado e elevou a sua previsão para o corrente ano, suportada pelo corte de custos e pelo crescimento internacional. Mas os analistas questionam quanto tempo a empresa poderá contar com a redução dos custos para fomentar os lucros, enquanto as vendas nos EUA enfrentam dificuldades. A Walmart revelou que a sua estratégia de oferecer grandes descontos de curto prazo em milhares de produtos nas suas lojas norte-americanas não conseguiu aumentar as vendas tanto quanto o esperado. Em Julho, o retalhista voltou a centrar-se no que designa como «preços baixos todos os dias» para atrair compradores. «A lenta recuperação económica vai continuar a afectar os nossos clientes e prevemos que continuem prudentes com as despesas», afirmou o director executivo da Walmart, Mike Duke. A fraca recuperação económica foi sublinhada pelos dados do Departamento de Comércio dos EUA, evidenciando uma evolução pior do que o esperado no sector imobiliário. As autorizações para a construção futura de casas caíram para o menor nível em mais de um ano. A Walmart referiu que vai demorar para ver melhorias nas vendas no mercado norte-americano e prevê entre uma queda de 2% a um aumento de 1% desse indicador no terceiro trimestre. O director financeiro do retalhista norte-americano, Tom Schoewe, revelou que a Walmart elevou o seu lucro anual previsto com base no seu forte desempenho operacional no primeiro semestre do ano, acrescentando que continuará a reduzir as despesas daqui em diante. O lucro da Walmart foi de 3,60 mil milhões de dólares, ou 97 centavos de dólar por acção, no segundo trimestre encerrado em 31 de Julho. Um ano antes, o retalhista registou um lucro de 3,48 mil milhões de dólares, ou 89 centavos de dólar por acção. A receita cresceu 2,8% para os 103,73 mil milhões de dólares, ficando abaixo da previsão média de Wall Street de 105,33 mil milhões de dólares. As vendas do retalhista em lojas de desconto abertas há mais de um ano no mercado norte-americano caíram 1,8%. As vendas internacionais subiram 11%, ajudadas pelo bom desempenho no México e pela abertura de novas lojas no Brasil e na China. Numa base constante da moeda, as vendas na unidade aumentaram 7,3%. Os clientes da Walmart tendem a ser particularmente vulneráveis a uma economia fraca e aos elevados preços dos combustíveis. Alguns deslocaram-se para lojas mais baratas, num momento em que o desemprego permanece elevado, enquanto outros procuraram uma oferta melhor em retalhistas rivais como a Target. Mas alguns dos problemas da Walmart foram da sua própria autoria, incluindo uma jogada malfadada para remover centenas de produtos das lojas no "Project Impact" anunciado em 2008. A Walmart voltou a concentrar-se nos produtos básicos como t-shirts e meias no seu negócio de vestuário, uma área que tem sido desde há muito tempo um empecilho para as vendas. Bill Simon, nomeado director-executivo em Junho, espera ver as vendas de vestuário para o mesmo número de lojas melhorarem no quarto trimestre.