Wal-Mart acusada de não combater trabalho infantil

A Wal-Mart está a ser pressionada para assumir a responsabilidade pelo uso de mão-de-obra infantil em duas fábricas de vestuário no Bangladesh, após um programa de rádio ter revelado um novo código de violação de condutas. A Rádio Canadá emitiu uma reportagem, no programa de língua francesa Zone Libre, onde denunciava que crianças entre os 10 e os 14 anos de idade estavam a trabalhar nas referidas fábricas, que fazem artigos de vestuário para a Wal-Mart Canadá. De acordo com Catherine Vaillancourt-Laflamme do Quebec Coalition Against Sweatshops – Coligação do Quebec contra as fábricas que exploram trabalhadores – a Wal-Mart reagiu à notícia anunciando que iria cancelar futuras encomendas a estes fornecedores. Mas em vez de fugir desta situação, Catherine Vaillancourt-Laflamme diz que o retalhista pode ajudar a eliminar o futuro uso de mão-de-obra infantil nas fábricas e assegurar que as crianças actualmente a trabalhar tenham outras alternativas. «Cancelar as encomendas e fugir é a pior resposta que se pode dar à denúncia de trabalho infantil ou à violação de outros direitos dos trabalhadores», afirma Catherine Vaillancourt-Laflamme. Kevin Thomas do MSN – Maquila Solidarity Network – concorda que a medida é contraproducente «porque desanima os trabalhadores e faz com que não queiram dizer aos auditores o que se passa de verdade nas empresas com medo de perder os seus empregos e encoraja os fornecedores a esconder os abusos contra os direitos dos trabalhadores ou a subcontratar encomendas a outras fábricas que escapam à inspecção». Um estudo levado a cabo pelo MSN para a ETAG – Ethical Trading Action Group (Grupo de acção para comércio ético) – que avalia os retalhistas e marcas baseados nas suas políticas e programas disponíveis publicamente em relação aos direitos dos trabalhadores nas fábricas de fornecimento, atribuiu à Wal-Mart um valor negativo de 30. De acordo com Thomas, a Wal-Mart recebeu este valor em parte devido ao facto de não ter encontrado uma abordagem para fazer face aos abusos dos direitos dos trabalhadores e não ter apresentado aos clientes e investidores os resultados das auditorias às fábricas nem ter tomado medidas para eliminar estes abusos.A Wal-Mart foi ainda criticada por não ter um código de conduta que ultrapasse os padrões internacionais ao apresentar os 14 anos como idade mínima para trabalhar e sancionar uma semana de trabalho de 72 horas.