Vivemos num “mundo Wal-Mart”? – Parte 1

Segundo Wendy Liebmann, fundadora e directora da WSL Strategic Retail, empresa de marketing estratégico e consultoria em Nova Iorque, “a Wal-Mart tem ensinado os consumidores a ver as compras de modo diferente”.

 

Na opinião desta analista, a referida cadeia americana “mudou toda a dinâmica do mercado retalhista e reconheceu que os consumidores estão hoje muito mais informados acerca do valor das suas compras, cabendo ao retalhista encontrar as melhores formas de conquistar este novo cliente, apostando na eficácia, na redução de custos e no uso da tecnologia”.

 

Com efeito, a Wal-Mart “obrigou” os fabricantes e fornecedores de vestuário a serem mais eficazes na sua gestão das mercadorias e stocks.

A grande diferença entre a actualidade e cinco anos atrás é que os retalhistas deste sector estão (finalmente) a aprender a competir neste agressivo e competitivo mercado…

Este artigo, publicado recentemente no site Just-style.com, descreve as seis grandes tendências neste sector, identificadas pela WSL Strategic Retail.

1. Maior enfoque no consumidor

Esta mudança dinâmica no retalho inclui a noção de que os clientes são cada vez mais informados acerca do real valor das suas compras que já não é possível competir com base apenas no factor preço.

Depois da Wal-Mart ter mostrado aos consumidores que podem comprar uma peça básica, como uma T-shirt branca, e ao mesmo tempo ter artigos de marcas como a Levi’s num mesmo espaço, as cadeias especializadas e os grandes retalhistas foram forçados a aumentar os produtos à venda e a gerir mais eficientemente os seue negócios, de modo a corresponder às expectativas dos seus clientes.

Este aspecto é actualmente um factor chave em todo o mundo do retalho, do site Internet eBay às cadeias como a Nordstrom e a H&M.

2. As compras tornaram-se mais fáceis

A passagem para esta nova era de consumo não se tem revelado fácil.

O ritmo da vida actual é demasiado frenético e caótico para podermos fazer compras em quarteirões comerciais com 150.000 metros quadrados.

Os consumidores dos nossos dias querem acima de tudo chegar a um estabelecimento, comprar o que precisam e sair de lá, o mais depressa possível.

Como resultado deste vazio que a Wal-Mart criou, nasceram inúmeras cadeias de lojas especializadas com um mix de oferta bem específico e direccionado.

 

Candace Corlett, da WSL Strategic Retail, afirma que “por um lado temos este novo consumidor, formado pela Wal-Mart e a sua enorme escolha de marcas e produtos num só local e com preços baixos, e ao mesmo tempo uma multidão de consumidores que vão às lojas à procura de algo novo, com escolhas diferenciadas e personalizadas”.

Todos estes factores ajudaram a transformar as tradicionais épocas de compras, em especial nos períodos festivos como o Natal, e prolongaram o tempo em que os consumidores querem fazer compras, tendo Janeiro, Fevereiro e Março deixado de ser “meses mortos” nos quais os retalhistas podem ver-se livres dos artigos que não venderam no período anterior.

“Os retalhistas devem pensar em novos artigos logo após as festas, o que também afecta o seu ciclo de compras”, conclui Wendy Liebmann.

3. Baseamos as nossas compras nas experiências anteriores

O consumidor dos nossos dias pretende igualmente uma forte recompensa emocional, e as pessoas neste mundo “pós-Wal-Mart” estão dispostas a pagar por uma experiência customizada porque já conhecem o outro lado do retalho.

“Nem toda a gente quer montes e montes de produtos de baixo preço”, afirma Wendy Liebmann, acrescentando que estes clientes querem “produtos inovadores que possam tocar e sentir, e que lhes ofereçam algum atributo emocionalmente recompensador, a par de um preço atractivo”.

De acordo com um estudo recente da WSL, denominado “Como a América Compra… no Presente”, 45% dos consumidores gastam mais dinheiro quando fazem as compras num ambiente agradável.

As pessoas simplesmente não têm tempo – nem paciência – para estarem em lojas apertadas e superlotadas.