
O estudo realizado pelo Centro do Trabalhador do Vestuário inquiriu 175 funcionários do distrito de produção de vestuário do Condado de Los Angeles entre junho e agosto de 2015. A força de trabalho, explica o relatório, é maioritariamente composta por imigrantes, que auferem baixos rendimentos e são «rotineiramente explorados, mal pagos, trabalhando sob condições de exploração». Constatou-se que 21% dos trabalhadores do sector de vestuário foram vítimas de violência física ou verbal no local de trabalho, e 6% são vítimas de assédio sexual.
«A fast-fashion, a produção de tendências de moda de rápida transformação significa que os trabalhadores são pressionados a produzir peças de vestuário a uma taxa de retorno rápida, ao menor custo», observaram os autores do relatório. «A pressão para produzir rapidamente e a baixo custo cria tensão no local de trabalho, onde os gestores e empregadores exigem produção rápida, muitas vezes através da violência verbal e física».
No que diz respeito às condições de trabalho, quase um em cada três trabalhadores relatou não ter acesso claro a saídas de emergência, 22% afirmaram que o espaço de trabalho é pouco iluminado e cerca de 70% dos trabalhadores que indicaram a presença de poeira ou poluição nas suas fábricas sofrem de irritação nos olhos, nariz e garganta, na sequência de longas jornadas de trabalho. Em acréscimo, cerca de um quarto dos trabalhadores referiru usar algum tipo de produto químico no manuseamento de peças de vestuário.
A indústria de vestuário de Los Angeles emprega cerca de 45.000 trabalhadores, em marcas de moda reconhecidas mundialmente, como Forever 21, Charlotte Russe, Papaya e Wet Seal. No entanto, o relatório observa que esse valor poderá ser superior, uma vez que os fabricantes de vestuário não-registados, que operam na região sem licença, são excluídos dos resultados oficiais. Esses trabalhadores, adianta a pesquisa, testemunham alguns dos mais altos níveis de roubo salarial, que incluem a retenção ilegal de vencimentos e a negação de benefícios legais no local de trabalho.
A prática de uma taxa por peça, uma forma de pagamento com base no número de peças de vestuário costuradas por dia, ao invés do número de horas de trabalho efetuadas, é comum. O relatório afirma que, embora os empregadores sejam obrigados, por lei, a garantir o pagamento do salário mínimo horário, se a taxa recebida por peça não corresponder a esse valor, este não é pago. Com base nas reivindicações salariais que chegam ao Centro de Trabalhadores do Vestuário, os funcionários recebem uma média de 5 dólares por hora.
«As violações laborais generalizadas na indústria de vestuário têm, em parte, sido ignoradas devido à aplicação inadequada da legislação laboral. Os fabricantes de vestuário que contratam trabalhadores são conhecidos por encerrarem as operações, relocalizarem e reabrirem os negócios sob nomes diferentes, de forma a evitar o pagamento de salários aos trabalhadores. Estes contratantes fazem-no sem consequências, deixando os trabalhadores à deriva num complicado processo de reivindicações salariais», apontam os autores.
Cerca de 62% dos trabalhadores afirmaram trabalhar horas extras diárias, mas em consequência da taxa recebida por peça produzida, não lhes é pago o valor devido pelo trabalho suplementar. Cerca de 48% trabalham 10 horas ou mais por dia e quase um terço relatou não poder usufruir de uma pausa quando necessária. «Os trabalhadores de vestuário devem ter uma palavra a dizer sobre as suas condições de trabalho e salários através do direito de negociar diretamente com os empregadores, marcas e retalhistas que lucram com o seu trabalho», defendem os autores.
O relatório propõe sugestões de melhoria das condições de trabalho na indústria de vestuário de Los Angeles, incluindo o alargamento da legislação aplicada ao sector, de forma a responsabilizar as grandes marcas e retalhistas pelas violações salariais e de carga horária detetadas. Sugere, também, melhores condições de saúde internas, que protejam os trabalhadores da poluição, poeira e calor, assim como locais de trabalho mais limpos e seguros, com acesso a assistência médica.
Inclui, simultaneamente, um apelo ao direito à negociação coletiva por melhores salários e condições de trabalho, proteção das vítimas de violência no trabalho, discriminação ou assédio, incitando as marcas e retalhistas a pagarem um preço justo por cada peça de vestuário que adquirem, de forma a assegurarem um salário digno aos trabalhadores da indústria.










