Enquanto que a indústria têxtil continua a exercer pressão no sentido de conseguir mais concessões e incentivos (nomeadamente subsídios financeiros, empréstimos bancários a taxas baixas, reduções nas taxas de bens fundamentais, etc.) pelo terceiro ano consecutivo, também quer que o governo mantenha a vigilância sobre as importações de vestuário em segunda-mão, de forma a proteger os produtos acabados paquistaneses.Pouco mais de 15 por cento dos produtos têxteis acabados são absorvidos pelo mercado interno paquistanês, conforme refere Adil Mahmood, director da associação sectorial APTA (All Pakistan Textile Association). Quer a APTA, quer a sua congénere APTMA (All Pakistan Textile Mills Association) estão convencidas de que a indústria não recebe o apoio suficiente. Os responsáveis sectoriais paquistaneses comparam a sua situação com a da Índia, onde 70 por cento dos produtos acabados são absorvidos pelos consumidores locais, ou com a China, onde este indicador é de 60 por cento.De acordo com as estatísticas governamentais, o Paquistão importa anualmente 24.510 mil toneladas de vestuário em segunda mão e outros artigos usados. Um volume que para um país com 157,3 milhões de habitantes, contrasta com as 24 mil toneladas importadas pela Índia, que conta com uma população acima de 1.000 milhões de pessoas. No entanto, os responsáveis têxteis paquistaneses defendem que estes valores não representam a realidade, referindo que o total de importações está muito acima destes números. Os responsáveis sectoriais referem a existência de grupos de interesse instalados, os quais para além de não declararem a totalidade de importações realizadas, fazem entrar no país lençóis de cama, cortinas, tapeçarias e outros artigos de têxteis-lar, passando por vestuário de segunda-mão. Entre as origens de tecido referidas pelas associações sectoriais encontram-se: China, Índia, Indonésia, Bangladesh e Tailândia, entre outros.Devido à dependência dos mais pobres pelas importações de vestuário em segunda-mão, aliada ao aproximar das eleições, os responsáveis governamentais recusaram o pedido da APTA no sentido de controlar o volume das importações de vestuário em segunda-mão. O vestuário produzido no Paquistão é muito mais caro quando comparado com o vestuário em segunda-mão importado. Uma camisa importada pode ser adquirida por 100 a 150 rupias paquistanesas (entre 1,22 e 1,83 euros), enquanto que uma camisa fabricada no Paquistão é vendida entre 300 a 400 rupias (entre 3,67 e 4,90 euros). No caso das calças os preços variam entre as 150 e as 200 rupias (entre 1,83 e 2,45 euros) nas importadas, enquanto que as calças produzidas localmente são vendidas por 500 rupias (6,12 euro) ou mais. O mercado de vestuário de gama mais alta tem diminuído, resultado do baixo poder de compra da população. Quase 74 por cento dos paquistaneses vivem com menos de 2 dólares (1,45 euros) por dia, ou menos de 4.600 rupias (56,33 euros) por mês, enquanto que uma grande proporção dos restantes 26 por cento da população não apresenta um nível de vida muito favorável.O responsável da APTA defende a necessidade de criar melhores condições para a indústria têxtil paquistanesa, com menos custos de produção e mais apoio governamental no acesso ao mercado externo. Mahmood questiona a ideia de que as exportações têxteis estão a tornar-se insustentáveis para os produtores, devido aos custos resultantes de empréstimos bancários.Ao longo dos últimos dois anos, o governo paquistanês apoiou todos os segmentos da indústria têxtil com a excepção do sector de fiação. A percepção na altura era que ao longo dos 50 anos anteriores, as fiações adquiriram algodão a quase metade do valor dos preços internacionais. Mas agora que os produtores de algodão são também um segmento poderoso da estrutura de poder político, a aplicação de taxas sobre as exportações de algodão foi eliminada, assim como a aplicação de um preço base para as exportações. Hoje em dia, as fiações compram o algodão ao preço do mercado, sentindo dificuldade em adaptar-se às novas condições. Os responsáveis de fiação querem agora apoio para a investigação e desenvolvimento, assim como empréstimos bancários com taxas de juro de 7,5 por cento.De acordo com um responsável governamental paquistanês, o governo está actualmente empenhado no desenvolvimento de politicas de longo prazo para os próximos 10 a 15 anos, com projectos específicos para viabilizar todos os segmentos da indústria têxtil e de vestuário, estando previstas novas rondas de negociação com os principais responsáveis sectoriais.










