Vestuário mais inteligente – Parte 1

O vestuÁrio capaz de conseguir medir a temperatura corporal do utilizador ou de monitorizar a sua actividade cardíaca estÁ agora a entrar no mercado, mas o projecto europeu BIOTEX traz novas funções aos têxteis inteligentes. Os bio-sensores em miniatura, actualmente incorporados numa estrutura têxtil, conseguem analisar fluidos corporais como uma pequena gota de suor, e fornecer uma melhor avaliação sobre a saúde do indivíduo. Um conjunto de projectos de investigação da União Europeia (SFIT Group) estÁ a apoiar o florescente sector dos tecidos inteligentes, têxteis interactivos e sistemas flexíveis passíveis de serem incorporados no vestuÁrio. Jean Luprano, um investigador do Centro Suíço de Electrónica e Microtecnologia (CSEM), coordena o projecto BIOTEX. Uma das aplicações mais evidentes para os tecidos inteligentes é na Área da medicina. Tem havido um grande progresso com medições fisiológicas, temperatura corporal ou electrocardiogramas. Mas ainda ninguém desenvolveu tecnologias sensoriais bioquímicas que possam realizar medições de fluidos como o suor ou o sangue», afirma Luprano. Estamos actualmente a desenvolver um conjunto de sensores que podem ser integrados numa estrutura têxtil. Esta estrutura é uma unidade de detecção e processamento, adaptÁvel para focalizar diferentes tipos de fluidos corporais e espécies bioquímicas. Algumas anÁlises bioquímicas bÁsicas permitem, pelo menos, complementar as medições fisiológicas que jÁ podem ser monitorizadas. Em algumas circunstâncias, a anÁlise de fluidos pode ser a única forma de obter informação sobre o estado de saúde de um paciente». Existe uma razão muito simples pela qual os investigadores se têm esquivado de desenvolver sistemas têxteis inteligentes para a monitorização de fluidos: é extremamente complicado. Como recolher um fluído e transportÁ-lo para uma unidade bio-sensivel? Podem ser realizados testes sanguíneos não invasivos? As medições podem ser fiÁveis e precisas com minúsculos volumes de líquidos? Os parceiros do BIOTEX, universidades e pequenas empresas de ItÁlia, França e Irlanda, colaboraram com o CSEM para ultrapassar alguns dos obstÁculos técnicos dos têxteis bio-sensíveis. Um dos principais resultados do projecto foi o desenvolvimento de um conjunto de protótipos de bio-sensores iónicos, capazes de realizar medições aos níveis de sódio, potÁssio e cloreto em amostras de suor. Uma outra sonda mede a condutividade do suor e um sensor miniaturizado de pH muda de cor para indicar o pH do suor. Um sensor imunológico, que poderia ser integrado em pensos para feridas ou ligaduras, pode detectar a presença de proteínas específicas em amostras de líquidos. Luprano faz questão de salientar que estes bio-sensores não são apenas versões em escala reduzida da tecnologia existente. Muitas das reacções químicas ou bioquímicas utilizadas em ensaios de amostras não são reversíveis e uma parte do bio-sensor teria de ser substituída. Quando é realizada uma monitorização em continuo, não se pode fazer isso, sendo necessÁrio um sensor que se liga ao substrato de forma reversível. Para além disto, os sensores BIOTEX trabalham com volumes minúsculos de líquidos, por isso tivemos de chegar a desenhos e materiais inovadores que tornam possível miniaturizar os sensores e tornÁ-los compatíveis com tecidos», explica o investigador. Na segunda parte deste artigo, vão ser abordadas as soluções para alguns destes desafios tecnológicos.