Vestuário em ondas diferentes

Enquanto o negócio do vestuário de malha tem sido mais afetado pelas agruras da conjuntura, o vestuário em tecido, depois da queda acentuada nos anos da pandemia, está em clara recuperação.

Em valor, as exportações de vestuário registaram uma descida entre janeiro e julho de 2023, para 2,08 mil milhões de euros, em comparação com 2,14 mil milhões de euros vendidos no mesmo período do ano passado. A queda deve-se essencialmente a uma diminuição nas vendas de vestuário de malha (cerca de menos 200 milhões de euros), que não foi completamente compensada pelo crescimento das vendas de vestuário em tecido.

Os números registados este ano são, no entanto, superiores aos verificados em 2019, antes da pandemia – as vendas ao exterior nos primeiros sete meses desse ano registaram 1,9 mil milhões de euros, sendo 1,3 mil milhões de euros referentes ao vestuário de malha e os restantes 600 milhões de euros de vestuário em tecido.

A redução verifica-se igualmente ao nível das quantidades. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações de vestuário caíram para 48,97 milhões de quilos, face aos 54,86 milhões de quilos vendidos no período homólogo de 2022. Também aqui a quebra é provocada essencialmente pelo vestuário em malha (que vendeu cerca de menos 6,7 milhões de quilos do que entre janeiro e julho de 2022), enquanto que no vestuário em tecido há um ligeiro aumento de cerca de 800 mil quilos.

Análise do CENIT com base nos dados do INE

Em quantidade, as comparações são negativas, parecendo emergir uma tendência de redução: em 2019, Portugal exportou 58,72 milhões de quilos de vestuário, dos quais 45,4 milhões de quilos de vestuário em malha e 13,3 milhões de quilos de vestuário em tecido.

Em termos de valor, Espanha (com 372 milhões de euros), França (274,1 milhões de euros), Alemanha (152 milhões de euros), Itália (141,6 milhões de euros) e Reino Unido (86,2 milhões de euros) são os principais destinos do vestuário em malha exportado por Portugal, um top 5 que muda quando se analisa as exportações por quantidade, mantendo os três primeiros lugares, a que se soma os Países Baixos no quarto lugar, à frente de Itália.

No vestuário em tecido, e tendo em conta o valor exportado, os mercados de eleição no período entre janeiro e julho de 2023 foram Espanha (200,1 milhões de euros), França (117,8 milhões de euros), Reino Unido (54,1 milhões de euros), Alemanha (48,94 milhões de euros) e Países Baixos (39,8 milhões de euros). Já em quantidade, os mercados mantêm-se, mas trocam de posições. Espanha e França ocupam, respetivamente, a primeira e a segunda posição deste ranking, seguidos da Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.

Análise do CENIT com base nos dados do INE

As importações, por seu lado, estão a aumentar, com um acréscimo de aproximadamente 220 milhões de euros entre janeiro e julho deste ano face ao período homólogo do ano passado, dividido equitativamente entre o vestuário em malha e o vestuário em tecido.

Espanha (com uma quota de quase 50%), Itália, França, Alemanha e Polónia (que aumentou em 293,1% as vendas a Portugal em comparação com o período homólogo do ano passado) foram os cinco principais mercados de importação de vestuário em malha no período entre janeiro e julho de 2023, representando, em conjunto, 655,29 milhões de euros do total de 829,1 milhões de euros importados por Portugal.

Já no vestuário em tecido, os protagonistas são praticamente os mesmos, com a exceção da Polónia, que sai do top 5 e é substituída pela China, que ocupa o quarto lugar, à frente da Alemanha. No total, Portugal importou 808,48 milhões de euros deste tipo de artigo nos primeiros sete meses deste ano, sendo que os primeiros cinco mercados de origem representaram 646,88 milhões de euros de importações.

Portugal foi, em 2022, o 9.º maior exportador da UE de vestuário, com exportações no valor de 3,56 mil milhões de euros, o que representou uma subida de 13,9% face a 2021, de 13,7% em comparação com 2019 e de 24% em contraste com 2015. Estes aumentos, contudo, são inferiores à generalidade dos outros mercados exportadores europeus: Itália, que ocupa o primeiro lugar deste ranking, exportou mais 27,5% em 2022 face a 2021 e mais 25,8% em comparação com 2019. Espanha, que ocupa o terceiro lugar, a seguir à Alemanha, Países Baixos (4.º lugar), França (5.º lugar) e Dinamarca (8.º lugar) têm todos taxas de crescimento (nas comparações com 2022 e 2019) superiores às de Portugal.

Portugal ganha quota

Os dados do ITC – International Trade Centre sobre as importações dos principais mercados do vestuário nacional mostram, contudo, que Portugal é competitivo e tem ganho quota de mercado em alguns deles. Em Espanha, Portugal é atualmente o 10.º fornecedor de vestuário, com nuestros hermanos a reduzirem em 36,8% as compras de vestuário português em 2022 face a 2015. No entanto, é de destacar que, depois de terem atingido o valor mínimo de 354,8 milhões de euros em 2021, as compras ao nosso país deste tipo de artigo aumentaram 76%, para 613,7 milhões de euros, em 2022, o que representa também um crescimento de 35,6% em comparação com 2019. Além disso, Espanha importou apenas mais 22,7% em 2022 em comparação com 2019 e mais 36,1% face a 2021. Sendo os valores absolutos menores, as importações espanholas provenientes de Portugal aumentaram em 2022 a taxas superiores às de outros mercados preferenciais, incluindo Turquia (+14,4% face a 2021), Marrocos (17,7%), Itália (27,2%), Paquistão (55,9%), Myanmar (50%) e Índia (33,3%). Em 2022, Portugal teve uma quota de mercado de 2,9% em Espanha, em comparação com 2,3% em 2021.

Já nos primeiros sete meses do ano, a quota portuguesa nas importações espanholas de vestuário aumentou para 4%, em comparação com 3,6% no mesmo período do ano passado.

O mesmo acontece no Reino Unido, que em 2022 aumentou as importações de vestuário provenientes de Portugal em 159,7%, para 374,29 milhões de euros, em comparação com 2021. No total, as importações de vestuário do país governado por Carlos III subiram apenas 30,9% no ano passado. A quota portuguesa nas importações de vestuário subiu para 1,6% em 2022, em comparação com 0,8% em 2021. Nos primeiros sete meses de 2023, a quota estagnou face ao período homólogo de 2022, em 1,8%.

Em termos de quota de mercado, e tendo em conta os dados do ITC para janeiro a julho, Portugal está a aumentar a sua quota de mercado também em França (de 2,1% nesse período em 2022 para 2,3%), na Alemanha (de 1,2% para 1,3%) e nos EUA (de 0,37% para 0,51%). A exceção entre os principais mercados é Itália, onde a quota de mercado baixou ligeiramente, de 1,5% no ano passado para 1,4% este ano.