Vestuário dos mais pequenos – a luz ao fundo do túnel?

Menos consumidores, menos poder de compra, pressão para descer os preços por parte dos grossistas e um número cada vez maior de retalhistas de vestuário de adultos estão a colocar os especialistas de vestuário infantil numa posição complicada, tendo estes de lutar pelo seu lugar no mercado.

Enfrentando um crescimento fraco no seu principal mercado de vestuário, os especialistas de vestuário para adultos do Reino Unido estão a adoptar estratégias ousadas alargando a sua oferta para o vestuário infantil, de acordo com o último estudo da Verdict Research, sobre Childrenswear Retailers 2005 (retalhistas de vestuário infantil 2005).

Seguindo o desejo do consumidor de conveniência, de ser fashion e de ter uma certa credibilidade, o vestuário infantil está a provar ser a peça final no puzzle para realizar na totalidade todas as ambições do consumidor.

Não existe melhor exemplo de sucesso do que o do líder de mercado Next. Apesar de algumas situações menos favoráveis no primeiro semestre de 2005, a Verdict prevê que este retalhista irá aumentar a sua fatia de mercado de vestuário infantil para 11,3 por cento de todos os gastos com este vestuário, em 2005.

Tendo ultrapassado a Marks & Spencer apenas em 2002, a Next detém actualmente mais do dobro da fatia de mercado que a M&S (5,2 por cento), evidenciando assim ainda mais a enorme diferença de performance entre os dois maiores retalhistas de vestuário do mercado.

Ganhos substanciais

No entanto, a Next é apenas um dos muitos especialistas a lucrar substancialmente e a contribuir para uma grande mudança nos canais através dos quais os consumidores fazem compras.

Nos bastidores da expansão espacial e do desenvolvimento deste segmento a Verdict prevê que a Tesco ganhe 1,0 pontos percentuais da fatia de mercado em 2005, aproximando-se da marca George da Asda, enquanto a progressão mais subtil da Primark está a diminuir significativamente a diferença para a M&S.

Como um grupo colectivo estão a ‘arrecadar’ o mercado do vestuário infantil. Os especialistas de vestuário, excluindo os especialistas de vestuário infantil, surgem como vencedores claros nos últimos cinco anos, aumentando a sua percentagem de mercado de 39,5 para 48,1 por cento. A Next, Primark e outros do género provaram ser imparáveis em ‘agarrar’ uma fatia substancial dos gastos dos consumidores com vestuário infantil, apresentando apenas a M&S e a JJB Sports uma queda.

Os grossistas, principalmente a Asda e a Tesco, também já fizeram grandes progressos. Fazendo corresponder a sua oferta à procura dos consumidores eles aumentaram a sua fatia de mercado de 5,5 por cento nos últimos cinco anos para 15,0 por cento do mercado em 2005. Por contraste, a fatia de marcado dos especialistas de vestuário infantil sofreu uma queda, perdendo o equivalente a 221 milhões de libras de vendas, segundo os valores de mercado de 2005, já que tiveram de se defrontar com a credebilidade e conveniência dos novos concorrentes.

Os fortes tornaram-se mais fortes

O resultado é que os fortes se tornaram ainda mais fortes. Os principais dez retalhistas são responsáveis por 55,4 por cento do mercado de vestuário infantil em 2005, verificando-se assim uma subida dos 44,6 por cento registados em 2000, equivalente a um aumento no valor de 780 milhões de libras de vendas adicionais, comparativamente a um mercado que apenas cresceu, em termos de valor, 699 milhões de libras.

Desta forma, enquanto os congéneres da Next, George e Tesco têm vindo a conquistar uma fatia cada vez maior o mercado não se expandiu de forma a compensar este crescimento. A situação vai apenas agravar-se. O mercado está não só a viver a sua taxa de crescimento mais baixa em 2005 (2,6 por cento) desde o virar do século, mas a base de consumidores também está a diminuir. As projecções para 2010 mostram um número decrescente de crianças com mais de cinco anos, o que vai limitar ainda mais o mercado. A percentagem de crianças entre os 5 e 9 anos de idade deverá baixar 3,7 por cento, no mesmo período, e nas idades dos 10 aos 14 a queda será mais acentuada na ordem dos 6,3 por cento. Esta última faixa etária está também a ser cada vez mais ‘arrastada’ para o mercado dos jovens adultos, o que significa que uma fatia mais reduzida do vestuário infantil será alvo de um maior número de retalhistas. Desta forma, apesar de este ser um mercado que beneficia da grande necessidade do consumidor os retalhistas serão desafiados a encorajar gastos mais elevados a uma base de consumidores mais pequena.

A diversificação nas várias categorias, tais como acessórios e equipamentos, será essencial para os especialistas de vestuário infantil, uma vez que os não-especialistas gozam de maior liberdade na manipulação do seu espaço para expor o vestuário de criança e de adultos.

No entanto, a Verdict espera continuar a observar uma pressão no mercado exercida pelos retalhistas que procuram novas áreas de crescimento quando deparados com um abrandamento deste nos seus mercados alvo. O panorama futuro mantém-se assim muito difícil para os especialistas.