Vestuário deve explorar nichos

Um estudo da GlobalData sobre tendências globais no sector do vestuário sugere que há oportunidades a explorar em vários nichos de mercado, não só em termos de tamanhos mas também de peças adaptadas a diferentes tipos de necessidade.

Tommy Hilfiger [©Tommy Hilfiger]

O estudo Niche Clothing Trends in the Global Market da GlobalData concluiu que 71,1% dos 2.000 inquiridos sentem que não retalhistas suficientes com gamas de nicho. 62,7% consideram difícil comprar vestuário de nicho e 61,5% refere que gostaria que mais retalhistas fornecessem conselhos de estilo para o seu tamanho e forma corporal.

Contudo, a GlobalData sublinha que a emergência do movimento de positividade corporal, que se foca na aceitação de todos os tipos de corpos, e que tem sido apoiada por personalidades conhecidas, está a levar as marcas a ajustarem a sua oferta de tamanhos para servirem uma gama mais alargada de tipos de corpo.

«Em vez de libertarem gamas de tamanhos grandes mais pequenas que têm uma quantidade limitada de opções, muitas marcas têm alargado os tamanhos disponíveis nas suas gamas principais, para fazer com que os consumidores de tamanhos grandes se sintam mais incluídos e dar-lhes mais escolha», indica o estudo, citado pelo Just Style.

Pippa Stephens, analista de vestuário da GlobalData, considera que embora o número de marcas de moda que estão atualmente a lançar gamas de tamanhos grandes esteja a aumentar, este segmento está ainda relativamente pouco saturado.

Prova disso é a aquisição da marca de tamanhos grandes Evans pela AK Retail Holdings em agosto por 8 milhões de libras, num negócio que Pippa Stephens considera ter sido «uma ação positiva», sublinhando o potencial que este sector de nicho tem.

Opções para todos

Para além disso, o estudo destaca que as marcas premium também começaram a dar prioridade à inclusividade. A Rixo anunciou em setembro de 2022 que alargou a gama de tamanhos de 20 para 24 no Reino Unido e em fevereiro de 2023 foi elogiada por usar modelos plus-size na Semana de Moda de Londres.

O estudo sugere ainda que embora os segmentos como o dos tamanhos grandes e o dos tamanhos pequenos (petite) sejam vendidos pelas marcas há muitos anos, o vestuário adaptado é um mercado muito menos estabelecido, dando aos atores nesta área um enorme potencial de crescimento.

O vestuário adaptado integra fechos mais fáceis de usar, como velcro e fechos zipper, no design, assim como outras modificações para tornar mais simples de usar por pessoas com deficiência.

A Tommy Hilfiger tem sido uma das pioneiras deste mercado, tendo lançado uma gama de «vestuário adaptado» em outubro de 2017, pensado para facilitar o ato de vestir para pessoas com deficiência e cuidadores.

Outras marcas estão igualmente a explorar o mercado. Em 2019, a Nike fez um investimento estratégico no Handsfree Labs, especialista em tecnologia de calçado sem utilização de mãos, que permite aos consumidores calçarem-se sem atar cordões ou sem a utilização de mãos.

No geral, refere a GlobalData, a indústria está a ser compelida a reimaginar as suas estratégias e a explorar designs adaptados e mais funcionais, à medida que as tendências de mercado continuam a favorecer a inclusividade.

As inovações que estão a chegar ao mercado neste domínio, explica a GlobalData, estão a permitir que haja um forte crescimento e deverá continuar a expandir-se com a entrada de novas marcas neste domínio da inclusividade.

Sportswear alinha

De acordo com a Sport England, 39% das mulheres com 16 e mais anos não fazem exercício físico regularmente, em comparação com 35% dos homens, com a falta de tempo, confiança corporal e ciclos menstruais a serem apontados como obstáculos.

A GlobalData indica que apesar de um maior envolvimento das mulheres no desporto nos últimos anos, continua a haver diferenças de género na prática de desporto, que aumenta entre as mulheres que foram mães – sabe-se que a participação no desporto cai após terem filhos.

Nike [©Nike]
As marcas de sportswear têm, por isso, tentado aproveitar a oportunidade para reduzir a diferença, oferecendo produtos especialmente feitos para servir as necessidades das mulheres. Em 2020, a Nike tornou-se na primeira grande especialista em desporto a lançar uma coleção de maternidade, focada no ajuste, no conforto e no suporte.

A GlobalData acredita que apesar de marcas de moda generalistas como a H&M já oferecerem sportswear de maternidade, a posição da Nike como especialista permite-lhe oferecer mais inovação e tecnicidade. Além disso, fez uma análise detalhada no design e produção da coleção e incorporou características especiais como camadas discretas para acomodar a amamentação, assim como faixas de cintura flexíveis.

O estudo destaca igualmente que à medida que a indústria da moda procura ser mais inclusiva, as consumidoras mais pequenas ainda estão pouco representadas no mercado da moda, embora o chamado “petite” tenha sido a categoria de nicho mais comprada no vestuário de senhora em abril de 2023, seguida de perto pelo “plus size”.

Para a GlobalData, isso torna o “petite” no segmento de nicho mais importante para os retalhistas, tendo em conta a procura do consumo, com a categoria “tall” (para consumidoras mais altas) a ficar no quarto lugar, representando 13,4% da procura.

Existem poucos especialistas nestes segmentos de nicho, aponta a GlobalData, que refere que muitos tentaram entrar nestas áreas no passado, mas que não sobreviveram – como é o caso do grupo Arcadia, que tinha as marcas de moda de senhora Topshop, Miss Selfridge e Dorothy Perkins que tinham gamas destes segmentos, mas faliu em 2021. Atualmente, destaca, as consumidoras mais pequenas e as mais altas são frequentemente forçadas a comprar nas gamas normais e têm dificuldade em encontrar roupa que lhes sirva bem.