A roupa foi inicialmente criada para cobrir o corpo, assegurando calor, protecção e (algum) estatuto. Daí, evoluiu para a moda, transportando toda uma afirmação de estatuto, riqueza e sofisticação.
Hoje em dia, esta afirmação chegou ao âmbito das funcionalidades e performances do vestuário. Neste contexto, o vestuário de competição é desenhado para resistir às maiores exigências dos utilizadores, além de enfrentar as condições ambientais. Segundo o estudo Análise ao Mercado Global do Vestuário de Performance: Cenários para 2010, recentemente publicado no Just-style.com, este segmento de mercado pode ser dividido em dois sub-sectores: a roupa para desporto e a roupa para fins industriais e profissionais. A par desta divisão, os utilizadores deste tipo de vestuário podem igualmente ser enquadrados em duas categorias distintas: os praticantes de desporto que compram a roupa para usar nas suas actividades preferidas, e os trabalhadores cujas empresas lhes fornecem a necessária roupa de protecção. Em 2004, o mercado mundial de vestuário desportivo valia 55,5 mil milhões de dólares, dos quais menos de 10% poderia ser classificado como vestuário de performance. Como os preços no retalho da roupa de performance são substancialmente mais altos dos que os das peças desportivas mais básicas, como as T-shirts e os calções, este mercado regista igualmente um valor mais baixo, à volta dos 5.36 mil milhões de dólares. Olhando para o mercado global de vestuário de trabalho, um outro relatório do Just-style.com calcula o valor deste sector nos 4,2 mil milhões de dólares, dos quais aproximadamente 35% são roupas de protecção, o que aponta para um valor de estimado nos 1,48 mil milhões de dólares neste tipo de produtos. A chamada roupa desportiva de elevada performance parece estar assim no caminho certo para continuar o seu crescimento, baseando-se na flexibilidade dos seus preços e na capacidade para ser vendida a preços mais elevados, quanto mais complexo for o seu fabrico, e não tanto no crescimento em termos de volume. Ainda de acordo com o estudo do Just-style.com, nos próximos seis anos, o vestuário de protecção deverá crescer 15% em valor, passando dos 1,48 mil milhões de dólares para os 1,70 mil milhões de dólares. O mercado retalhista para o vestuário de performance deve atingir assim o valor total de 3,8 mil milhões de dólares em 2010.Nos casos em que o vestuário exterior é sujeito a condições climatéricas extremas, o vestuário interior deve garantir o aquecimento do corpo, mantendo no entanto a capacidade de refrigeração do mesmo. Por exemplo, para as meias e camisolas interiores, o isolamento térmico, a resistência à água e aos odores são qualidades importantes. Ao mesmo tempo, as camisas e blusas tornaram-se quase obsoletas no mundo do desporto, mas no caso do vestuário de protecção, a capacidade de resistir aos odores e permitir a respiração anti-microbiana são aspectos chave. Em termos de inovações neste segmento de Mercado, e após grandes avanços em áreas como as misturas de algodão e a tecnologia de membranas, ocorridas nas décadas de 60 e 70, as descobertas revolucionárias abrandaram durante quase 20 anos. No entanto, nos últimos anos, a indústria do vestuário tem introduzido um número considerável de produtos inovadores, principalmente no campo das tecnologias de fibras. A tendência generalizada nos avanços do presente parece apontar para a combinação de qualidades de tecidos que até aqui eram exclusivos entre si por exemplo, ser à prova de água e permitir a ventilação, ao mesmo tempo que protege contra a sujidade e possibilita a passagem de ar. O sucesso do vestuário de performance assenta assim em dois aspectos essenciais, segundo este relatório: por um lado, a disposição dos consumidores em pagar os elevados custos dos desenvolvimentos tecnológicos destes produtos; e por outro lado, a disponibilidade dos compradores industriais para despenderem os valores que as mais avançadas soluções implicam. Este estudo do Just-style.com conclui que os criadores e vendedores destes produtos nos países mais avançados devem ter em atenção os seguintes factores: – Se será viável ou não comercializar os materiais e produtos com marca própria, quando confrontados com a concorrência dos fabricantes locais; – Se essas marcas serão suficientemente fortes para atrair os fornecedores de materiais e torná-los seus parceiros de negócios; – Se as empresas detêm um controlo efectivo sobre os custos das matérias-primas e tecnologias envolvidas neste segmento de mercado; – Se essas empresas devem optar por estabelecer parcerias estratégicas, ou pelo controlo integral da cadeia de produção.










