Vestuário contraria expectativas

Com a liberalização do comércio internacional ocorrida no início deste ano e a consequente livre entrada de artigos têxteis e de vestuário originários de mercados como a China, a Índia e o Paquistão seria esperado profundas mudanças na teia de fluxos comerciais.

Relativamente ao mercado norte-americano, a informação disponibilizada pelo Departamento do Comércio Norte-americano demonstra que apesar do aumento da concorrência, as importações de produtos nacionais se mostraram dinâmicas no primeiro semestre do ano. De facto as importações de têxteis-lar com origem lusa cresceram 24,8% (ver notícia no PT) em termos homólogos, enquanto que a taxa crescimento dos fluxos de vestuário se fixou nos 19,6%.

De acordo com os mesmos dados chegaram aos portos norte-americanos 49,0 milhões de dólares de artigos de vestuário nos primeiros seis meses do ano, que compara com os 40,9 milhões registados no primeiro semestre do ano transacto. Todavia, a representatividade do mercado nacional nas importações totais dos EUA é reduzida correspondendo apenas a 0,1% das importações totais. 

Para este dinamismo contribuíram as importações de camisas de algodão com um crescimento homólogo de 23,1% para os 4,2 milhões de dólares e as t-shirts de lã ou pêlos finos com um aumento de 59,5% representando já 4,9% das importações totais de vestuário norte-americano. Todavia, há categorias com desempenhos negativos neste semestre, em particular as t-shirts e as camisolas de algodão já que as importações de produtos portugueses caíram respectivamente 6,3% e 37,4% face ao mesmo período de 2004.

Note-se que o comércio de camisas, de t-shirts e de camisolas foi liberalizado apenas na última fase (Janeiro de 2005) e que os EUA confrontados com o forte aumento dos fluxos originários da China repuseram as restrições quantitativas às t-shirts de algodão e às camisas. Todavia, este factor influenciou apenas o comércio do último mês do semestre.

O semestre ficou caracterizado, como seria de esperar dado o elevado consumo das quotas de importação nos anos passados, por um forte aumento das importações de vestuário originárias dos mercados antes sujeitos a quotas, em particular da China e da Índia com crescimentos homólogos de 116,1% e 40,4%, respectivamente.

Entre os grandes perdedores neste semestre destaca-se o México, um dos principais mercados de abastecimento norte-americanos, que viu as importações recuarem 5,5% para os 3.171,9 milhões de dólares.

 Importações de Vestuário dos EUA no primeiro semestre de 2005

 

Quota 1º Sem.

Parceiro Comercial

Valor Importado

Var. 1 Sem. 05/04

0,1%

Portugal

48.976

19,6%

25,1%

China

8.794.613

116,1%

4,9%

Índia

1.704.515

40,4%

1,7%

Paquistão

603.287

11,1%

9,1%

México

3.171.853

-5,5%

59,1%

Outros

20.679.434

-6,6%

100,0%

Total

35.002.678

11,6%

 

 

 

 

 

Fonte: Departamento do Comércio Norte-Americano e Comissão de Comércio Internacional Norte-americana, Observatório Têxtil do CENESTAP

Valores em percentagem e em milhares de dólares