Vestuário contra-ataca nódoas e odores

Nos últimos anos, o progresso tecnológico trouxe nova dinâmica às categorias de repelência de nódoas e controlo de odores. O tratamento Nano-Care foi considerado, por exemplo, como uma das “Mais Espantosas Invenções de 2002″ pela revista americana Time. Empresas como a Dockers despertaram a imaginação dos consumidores com comerciais que mostravam homens sobrevivendo a uma variedade de improváveis perigos de festas e correndo através de ruas da cidade para evitar assustadores derramamentos e esguichos. A empresa utilizou a tecnologia Teflon Stain Defender da DuPont. A nanotecnologia, provavelmente a mais importante tecnologia neste âmbito, está a empolar esta agitação, assim como a semear alguma confusão entre os consumidores. Muitos pensam que esta tecnologia à escala nano implica minúsculos robots como aqueles que alimentam as histórias de ficção científica, o que aparentemente lhes causa alguma preocupação. Quando compreendem que a propriedade de repelir nódoas advém de whiskers finos ou que a capacidade de transportar a humidade é conferida por redes diminutas, sentem-se mais confiantes. Um exemplo vem logo à memória: há um tempo atrás a revista Popular Science decidiu explicar como é que a nanotecnologia explicitamente apresentada na etiqueta da Dockers funcionava. Os resultados foram bastante hilariantes e rapidamente mostraram que o operador não tinha qualquer ideia de que tipo de nanotecnologia se tratava ou como explicá-la. Felizmente para as empresas promotoras destes nano-têxteis, as revistas e websites que testaram os novos produtos concluíram que realmente funcionavam. A Miliken e a Nano-Tex elevaram a parada e criaram uma nova categoria – repelência de nódoas/libertação de nódoas – com o lançamento dos seus produtos StainSmart e Nano-Care 2, respectivamente. Ao mesmo tempo esta tecnologia anti-nódoas gerou grandes avanços, o controlo de odores em produtos como o Visa Endurance da Miliken, Meryl Skinlife da Nylstar, NanoSphere da Schoeller (ver notícia PT) e novos antimicrobianos à base de prata da Sanitized ofereceram novas soluções aos consumidores para este problema. Qualquer uma das referidas empresas garante que a sua tecnologia não origina qualquer corte e costura ou problemas de fabricação. Embora se recusem a revelar o mecanismo que sustenta a mesma, todas crêem firmemente que confere reais mais-valias pelas quais os consumidores estão dispostos a pagar mais. Regra geral, os seus clientes corroboram esta afirmação. A concorrência nos nanotêxteis é feroz entre empresas como a Nano-Tex, DuPont ou Schoeller, todas procurando tomar uma fatia deste mercado. Além do mais, muitos governos, como é o caso do americano, estão a investir avultadas somas na investigação e desenvolvimento acreditando que a nanotecnologia é a próxima “grande coisa”. Novas tecnologias de controlo de odores com produtos à base de prata vão continuar a ser aplicadas em activewear, equipamentos de desportos e vestuário outdoor. Os têxteis e vestuário médico serão também uma grande área de crescimento para este tipo de produtos, assim como as meias e forros de sapatos. Dois extraordinários exemplos mostram as possibilidades dos nanotêxteis. A JR Nanotech, uma empresa da área dos cuidados de saúde especialista na aplicação de nanoprata, desenvolveu as meias SoleFresh, que utilizam nanopartículas de prata para protecção contra bactérias e fungos. A Tecnologia de Percepção Sensorial, um tecido desenvolvido pela ICI e pela Wolmark Company incorpora minúsculas cápsulas de agentes hidratantes, desodorizantes, repelentes de insectos e anti-tabaco. Para além do vestuário corrente, espera-se que a nanotecnologia solucione problemas inultrapassáveis até à data no vestuário militar e de protecção. Os investigadores do Instituto para as Nanotecnologias do Soldado do MIT estão já a trabalhar para desenvolver uma armadura fabricada a partir de material nanoscópico; para reproduzir a enorme absorção de energia e propriedades de resistência da seda de aranha; para aperfeiçoar uma técnica para depósito de uma finíssima camada de um revestimento repelente à água que permitirá impermeabilizar novos tipos de materiais e combiná-lo com revestimentos anti-bacterianos e outros; e para produzir uma “superfície inteligente” capaz de accionar a propriedade desejada face a um estímulo exterior. Quanto aos investigadores da Universidade do Texas, em Dallas, e do Trinity College, em Dublin, anunciaram já um ponto de rotura com a fiação de fibras compósitas de nanotubos de carbono que são mais resistentes que qualquer polímero conhecido. A descoberta abre uma gama de novas aplicações como têxteis electrónicos armazenadores de energia e músculos artificiais para coletes à prova de bala mais resistentes.