A mudança de hábitos de compra (também de vestuário) dos britânicos espelha-se no sucesso dos discounters e supermercados que apostam em preços apelativos. Estes atingiram um volume de negócios de 9,4 mil milhões de euros, conquistando uma fatia de 20 por cento do mercado britânico de vestuário (cerca de 48 mil milhões de euros). A sua estratégia de preços baixos e uma oferta diversificada conquistaram um lugar no sector. A Marks & Spencer já sentiu os efeitos destes novos concorrentes, assim como a Next se sentiu desafiada e tenta responder a esta concorrência com mega-stores de 8.000 metros quadrados que permitem o alargamento da oferta e uma apresentação mais cuidada.
A empresa de pesquisa de mercado londrina Verdict estimou que os sete principais retalhistas que praticam preços acessíveis (Asda com a marca George, Matalan, New Look, Primark, Tesco, Tk Maxx e grupo Peacock) venderam em 2004 vestuário no valor de 7,7 mil milhões de euros, passando assim a deter uma quota de 16 por cento do mercado britânico de vestuário. Somente em 2004, este sector do vestuário cresceu 14 por cento ultrapassando a média de crescimento do mercado de vestuário de 3,5 por cento. De acordo com a Verdict, dois dos retalhistas mais bem sucedidos são a cadeia britânica de supermercados Tesco, a qual com as suas marcas de vestuário Cherokee, Florence and Fred e a colecção mais acessível registou um crescimento de 28 por cento, e o discounter de vestuário TK Maxx, com um crescimento de 17 por cento. O grande vencedor é a cadeia de supermercados Asda, uma subsidiária do gigante americano de retalho Wal-Mart desde 1999, que somente com a sua marca criada em 1990, George, conseguiu alcançar um volume de negócios superior a 2,9 mil milhões de euros. Os rivais Tesco e Sainsbury descobriram entretanto as potencialidades do sector do vestuário e também lançaram-se no ramo não-alimentar. A cadeia de supermercados Tesco, que na Grã-Bretanha detém uma fatia de mercado superior a 30 por cento, atingiu com o vestuário um volume de negócios de cerca de 1.040 milhões de euros. Novos formatos não-alimentares Contrariamente aos discounters alemães como a Aldi e o Lidl, que apresentam novas propostas de vestuário semanalmente, as cadeias britânicas de supermercados elaboraram uma oferta completa, criaram as suas próprias marcas e investiram nas suas equipas de designers. Para tornar o negócio o mais profissional e rentável possível recorreram a especialistas conceituados do retalho de vestuário. George Davies, que construiu a cadeia de moda Next, foi o responsável pelo desenvolvimento da marca George para a Asda. A Tesco contratou em 2000 John Hoerner, anteriormente director-executivo do grupo de moda Arcádia, para construir com sucesso o negócio de vestuário para esta cadeia de supermercados. Depois de Hoerner ter concentrado a expansão internacional das marcas de vestuário da Tesco, Cherokee e Florance and Fred, sobretudo nas lojas europeias, Terry Green foi nomeado director executivo do ramo de vestuário da Tesco. Philip Green, anteriormente responsável do armazém Debenhams, queria adoptar uma estratégia que possibilitasse o aumento do volume de negócios da Tesco no vestuário. Para atingir este objectivo, foi inaugurada a primeira loja não alimentar, a Tesco Homeplus, em Manchester. O ano de 2005 constituiu um grande desafio para os retalhistas que apostam em preços baixos. O modelo do negócio é baseado em grande medida nos baixos custos operacionais aliados a volumes de negócios elevados e se ambos estiverem sob pressão, as margens também estarão. Ofertas mais baratas no centro da cidade Uma vez que a competitividade para arranjar superfícies mais baratas nos arredores das cidades é cada vez maior, alguns retalhistas de preços acessíveis estão a dirigir-se para o centro da cidade. O objectivo destes retalhistas é angariar o maior número possível de clientes, independentemente do seu estatuto socio-económico. New Look, Primark, George e Tesco para ter sucesso não consideram única e exclusivamente o preço, o factor fashion é igualmente importante. Estas cadeias sabem que a moda a preços baixos é atractiva para as suas clientes, mesmo que não tenham muito dinheiro. O que pretendem mostrar é que, mesmo sem muito dinheiro, as mulheres não precisam de se abster de estar na moda. A Primark tem conseguido transmitir esta mensagem, tornando-se num fenómeno de vendas. Quem procura verdadeiras pechinchas (menos de 7,5 euros) e está disposto a remexer em caixotes para encontrar o que pretende é o primeiro cliente da Primark. A Associated British Foods, a empresa mãe da Primark, adquiriu no Verão de 2004, por 606 milhões de euros, a cadeia de lojas Littlewoods (120 lojas). A presença da Primark no mercado deverá aumentar 50 por cento nos próximos anos. Com o slogan Look good, pay less (esteja na moda e pague menos) a Primark baseou-se no exemplo da cadeia de moda Topshop, a qual se tornou um culto entre as clientes esfomeadas de moda.










