Verde” invadiu Heimtextil

Contra as expectativas mais pessimistas, a Heimtextil manteve a senda de negócio que a caracteriza. Entre 14 e 17 de Janeiro, ninguém quis perder a maior feira mundial dedicada aos têxteis para o lar e hotelaria e milhares de visitantes de todo o mundo invadiram a Messe Frankfurt para conhecer as novidades, as inovações e as mais recentes tendências para o sector. Cerca de 74 mil visitantes, provenientes de 121 países, é o número que faz história esta edição. Números que levaram Detlef Braun, administrador da Messe Frankfurt, a afirmar que «a Heimtextil conseguiu mostrar a expositores e visitantes uma saída deste clima de negócios incerto através de novos impulsos de design, ideias inovadoras e empreendedoras, baseadas no princípio da sustentabilidade e de novas oportunidades de vendas. O número e a qualidade dos visitantes na feira excederam as expectativas dos expositores». Essa foi também a opinião da maioria dos expositores nacionais. Cerca de 70 empresas portuguesas marcaram presença nesta edição da Heimtextil, 31 das quais apresentando as suas mais inovadoras propostas também no fórum de tendências The Portuguese Home Tex’Style, organizado pela Associação Selectiva Moda, numa iniciativa no âmbito de candidatura ao QREN. Para a Bordalima, que apresentou a sua segunda colecção sob a marca própria Bordalima 27 e cuja principal novidade foi a inclusão de uma linha para bebé onde se destacam os bordados (a especialidade da empresa), «houve menos visitantes, mas os contactos foram muito mais interessantes do que na edição precedente», revelou Cristina Marvão, designer da Bordalima 27. «No geral, a feira conseguiu incutir um novo ânimo ao sector, procurando assim contrariar as dificuldades económicas que se fazem sentir ao nível mundial». Uma opinião partilhada também pelos responsáveis da Goldentex. «Esta edição foi melhor que a precedente. Tivemos novos contactos para novos mercados, especialmente da Europa de Leste», afirmou Luís Rodrigues, gerente da empresa especialista em roupa de cama e atoalhados de mesa, lisos ou bordados, que destacou os bordados com lantejoulas, com fitas de cordão e com missangas. «Os compradores procuravam sobretudo produtos de gama alta, com elevada qualidade». Também os bordados, nomeadamente “all over”, constituíram a base da nova colecção da Perfel, onde o rústico e o natural são as duas correntes mais fortes. «As novas propostas foram muito bem recebidas pelos nossos clientes, que no geral nos visitaram todos. Mas constatámos que os visitantes vêm menos dias e com um roteiro bem definido, o que dificulta a realização de novos contactos», explicou Miguel Pereira, administrador da empresa especialista em cortinados e produtos afins. O carácter absolutamente internacional da Heimtextil permitiu o contacto com diversos mercados, com destaque para os europeus. «Tivemos muitos italianos, um mercado onde a Homania está a crescer bastante», revelou Noël Ferreira, administrador da A.Ferreira & Filhos, empresa detentora da marca especialista em mantas tricotadas. Nesta estação, a Homania está a reforçar a sua aposta na Natureza, quer em termos de matérias-primas, com o algodão orgânico, quer em termos de design, com uma linha inspirada nos desportos náuticos que registou «uma excelente procura». O “verde” foi, de resto, uma das tendências mais fortes nesta edição da feira, com muitos expositores a diferenciarem-se da concorrência através da utilização de matérias-primas mais sustentáveis. «Após várias conversas com representantes da indústria, percebi como é importante uma reorientação tendo em conta a sustentabilidade. Assegurar qualidade e transparência nos procedimentos sustentáveis em toda a cadeia de produção representa um importante primeiro passo», referiu Niels Hother Madsen, um dos oradores na palestra “Eco Luxury, Green Business and Inovations” e gestor da administração de compras e logística na Dänisches Bettenlager. No final, Cristina Motta, directora da Kamotta, a representação portuguesa da Messe Frankfurt em Portugal, fez um balanço positivo desta edição, insistindo na afirmação do carácter da Heimtextil como plataforma de negócio. «Constatámos que na feira se realizaram os negócios do costume e que, em muitos casos, as expectativas foram superadas. Muitas empresas consideraram que esta edição decorreu de forma equivalente à do ano anterior, o que me parece um excelente indicador, pois 2008 foi um ano particularmente positivo». Quanto à participação nacional, Cristina Motta não poupou elogios e considerou que «esta edição da Heimtextil veio, mais uma vez, evidenciar que a indústria têxtil portuguesa é uma indústria realista, capaz de se reinventar em tempos de crise e preparada para estar no mercado global. Trata-se de uma indústria com grande capacidade de introspecção e de adaptação».