Sombrio e inquietante é assim que os criadores parisienses anunciam o Verão 2006. Com efeito, o preto e o branco invadiram os pódios parisienses, nos recentes desfiles da Cidade-luz, acompanhados de bandas sonoras no limite de depressivas e produções dramáticas quanto basta. Apenas os cinzentos tempestuosos, os pastéis esbranquiçados ou os tons de pele pincelados de irisado ou dourado resistiram a este tom monocromático alternado. Depois dos patchworks de cores e estampados folclóricos do Verão de 2005, esta viragem foi, no mínimo, surpreendente. Ainda mais para uma estação estival.
Banido o supérfluo, suprimida a leveza e afastada a graça, resta apenas lugar para a concentração no essencial, as formas arquitectónicas e os materiais trabalhados. Embora haja duas excepções notáveis: a sinfonia em nu maior de Christian Dior, toda em musselina cor de pele sublinhada de preto, leve como um sopro, e as variações campestres de Jean-Paul Gaultier, sobre o tema do vaporoso e da fluidez florida. Os criadores dirigem frequentemente o olhar para uma só peça. Calça de fato para Rochas, casaco de fraque para Yamamoto, t-shirt com múltipla personalidade para Undercover, gabardina para Junya Watanabe, blusa campestre para Gaultier… Em cada caso, a peça surge em todas as suas variantes. Destruída, e depois reconstruída retalho a retalho. As golas pendem sobre uma ombro, os punhos das camisas transformam-se em extremidades de calças, os vestidos reviram-se (Viktor & Rolf), as entre-pernas das calças descem, os forros dos casacos escapam-se e transformam-se em capas. Este trabalho de alta precisão é a marca de fabrico do Verão 2006, que aviva o vestuário híbrido, como os fatos-macacos em versão calção e as blusas-vestidos. Pequenas mãos ágeis realizaram efeitos franzidos e plissados com um know-how inimitável. Pregas deitadas enlaçam, por exemplo, as calças de Rick Owens, uma prega vertical passa em diagonal pela parte de atrás de uma saia de Veronique Branquinho ou ainda uma manga balão plissa-se como um lampião num modelo de Givenchy.Única concessão feita à estação, as musselinas de seda, os tules e as organzas procuram aligeirar a atmosfera. O espírito lingerie desempenha um papel central, através dos espartilhos que sobem por baixo do peito, dos atilhos que serpenteiam aqui e ali, dos tops com ar de corpetes ou das saias curtas enfeitadas de armações. Por vezes, como para Dior, apenas a armação de um espartilho se insinua levemente sob uma vaga de musselinas. Embora prevaleça o romantismo, o tom está mais próximo de um spleen (raiva) de Charles Baudelaire do que de uma ode de Pierre de Ronsard. Quando a raiva é levada ao extremo, os pódios acordam aos sons do heavy metal. Neste neo-futuro, as modelos com um rosto de alvura extrema vestem a moda da próxima canícula. É Verão?










