Vendas voltam a “respirar”

Os americanos finalmente voltaram a gastar. No mês de Fevereiro, e principalmente em retalhistas discount como a Wal-Mart, assistiu-se ao primeiro aumento mensal de vendas desde Setembro último. A Wal-Mart, como já vai sendo hábito, ficou acima de todos os outros retalhistas, apresentando a sua melhor performance de vendas dos últimos nove meses. As vendas em lojas equivalentes aumentaram 5,1%, o dobro do crescimento esperado pelos analistas. Após os últimos dados, o maior retalhista do mundo divulgou uma “nota de confiança” onde comunicou que iria aumentar os seus dividendos anuais em 15%. O aumento de vendas registou-se essencialmente em retalhistas como a Wal-Mart e a Aéropostale (vestuário). Retalhistas do segmento médio-alto, como a Neiman Marcus, apresentaram valores de venda 21% inferiores ao mesmo período do ano passado. Os retalhistas do segmento médio e do segmento de luxo ainda encontraram muitas dificuldades para atrair clientes durante o mês de Fevereiro. Cadeias como a Saks e a Neiman Marcus continuaram a apresentar decréscimos de vendas na ordem dos 20%. Em todo o caso e, apesar desta redução, as quedas apresentadas ficaram aquém das estimativas dos analistas que esperavam quedas bastante superiores. A contribuir para um resultado menos lesivo pode ter estado o clima mais favorável de Fevereiro. Segundo os analistas, um tempo mais ameno terá contribuído para o mercado ter iniciado com maior vigor as suas compras de vestuário de Primavera. Estes acontecimentos aumentaram, junto das redes de retalho, a expectativa de estabilização dos seus negócios. A redução nos preços dos combustíveis tem também ajudado a que os americanos saiam mais de casa e fiquem com mais rendimento disponível para o consumo. Para a Wal-Mart, a redução dos gastos com viagens fez aumentar a frequência com que os seus clientes frequentam as suas lojas. A redução dos preços dos combustíveis no mercado americano fez com que os consumidores dispusessem de mais 14 mil milhões de dólares nos bolsos em Fevereiro, comparativamente a 2008. Dinheiro esse que pode, assim, ser gasto noutro tipo de despesas e que demonstrou ter um impacto directo nas vendas a retalho do mês passado. Caso o petróleo se mantenha abaixo dos 50 dólares por barril, os gastos totais com energia nos Estados Unidos terão uma redução estimada de 250 mil milhões de dólares em 2009.