Vendas online de moda, beleza e luxo atingem €224 mil milhões

No ano passado, os consumidores compraram 213 mil milhões de euros de produtos de moda, beleza e luxo. Para 2025, as previsões da Cross-Border Commerce Europe apontam para um crescimento de 5%.

De acordo com o mais recente estudo da Cross-Border Commerce Europe, plataforma especializada em e-commerce transfronteiriço, as vendas online de moda, beleza e luxo atingiram os 213 mil milhões de euros em 2023, com 82 mil milhões de euros provenientes de transações transfronteiriças. O estudo TOP 500 Fashion, Beauty & Luxury Retail Europe 2024 estima que este valor suba para 224 mil milhões de euros até 2025, impulsionado por um crescimento de 5%.

O comércio total de moda, beleza e luxo na Europa, tanto online como offline, está atualmente avaliado em 719 mil milhões de euros, refere a plataforma, sendo a moda, incluindo o luxo, responsável por 541 mil milhões de euros. 30% do total é realizado através de plataformas online. Em particular, as transações de moda e luxo representam 62% do mercado online, destacando-se como os principais segmentos.

O mercado online de moda, beleza e luxo tem beneficiado da entrada de novos atores, como as plataformas chinesas Shein e Temu, que têm ganho terreno em toda a Europa. Estas empresas, ao lado de gigantes como a Amazon e a Zalando, têm promovido uma maior acessibilidade e variedade de produtos para os consumidores, sublinha a Cross-Border Commerce Europe.

«À medida que a Shein e a Temu expandem a sua presença global, a sua capacidade de navegar pelas complexidades de um mercado globalizado será crítica. A recente incursão da Amazon no segmento de compras com desconto, espelhando os modelos da Temu e da Shein, revela uma mudança estratégica para alavancar as capacidades de produção da China. Este movimento visa aumentar a acessibilidade e a seleção de produtos, competindo diretamente com os players estabelecidos no espaço de e-commerce de baixo custo. O desafio para a Amazon não está apenas em penetrar neste mercado ferozmente disputado, mas também em convencer os consumidores a fazer a transição de plataformas estabelecidas. Esta mudança exige preços competitivos, ofertas de produtos expansivas e medidas de construção de confiança num cenário competitivo moldado pela presença de mercado da Temu e da Shein», indica a plataforma.

Além disso, o crescimento dos marketplaces C2C (de consumidor para consumidor), como a Vinted, tem impulsionado as opções de moda em segunda mão, reforçando a tendência para um consumo mais sustentável, acrescenta.

Os marketplaces transfronteiriços geraram, no total, 71 mil milhões de euros em valor bruto de mercadorias, dos quais 51 mil milhões de euros foram gerados por marketplaces B2C (de empresas para o consumidor). O segmento de revenda C2C contribuiu com 12 mil milhões de euros, um valor que deverá crescer para 15 mil milhões de euros até 2025.

No ranking das 500 maiores plataformas de moda, beleza e luxo transfronteiriças da Europa, a Amazon mantém, contudo, a liderança pelo segundo ano consecutivo, graças à sua expansão no sector da moda e à criação de novas opções de luxo. A gigante do comércio eletrónico tem apostado em colaborações com marcas de luxo, como a recente parceria com a Oscar de la Renta, nos EUA, e tem procurado replicar este sucesso na Europa, oferecendo coleções exclusivas e de elevada qualidade, destaca a Cross-Border Commerce Europe.

No segundo lugar na categoria moda surge a AliExpress, seguida pela Temu, eBay, Etsy, Shein, Zalando, Trenyol, Vinted e Cider.

Com a previsão de um crescimento de 5% até 2025, o comércio online de moda, beleza e luxo deverá continuar a dominar o panorama do e-commerce na UE, representando uma fatia cada vez maior das transações transfronteiriças. A crescente importância de plataformas sustentáveis e de moda em segunda mão também deverá moldar o futuro deste sector, à medida que os consumidores se tornam mais conscientes das suas escolhas de consumo.

As vendas online de moda, beleza e luxo, que atualmente representam 23% de todas as categorias de produtos comercializados online, deverão continuar a liderar o mercado de comércio eletrónico na Europa.