Vendas hesitantes em França

Embora tenham baixado face ao mesmo mês do ano anterior, as vendas de têxteis e vestuário em dezembro de 2023 registaram uma subida superior a 5% na comparação com o período pré-covid.

[©Pixabay-Peggy e Marco Lachmann-Anke]

Os resultados definitivos do último mês do ano, avançados pelo Institut Français de la Mode (IFM), revelam uma descida de 5% do volume de negócios dos distribuidores de têxteis e vestuário em comparação com a referência «elevada» de dezembro de 2022.

Face à situação pré-covid, contudo, os resultados mostram uma versão mais positiva do que em novembro, com a atividade comercial a superar em 5,5% a registada em dezembro de 2019. Contudo, sublinha o IFM, «é preciso lembrar que a referência de dezembro de 2019 é bastante baixa».

No total, o ano de 2023 ficou marcado pela inflação, «o que continua a mudar as decisões de muitos consumidores», aponta o IFM. Embora os preços do vestuário tenham aumentado, em média, «apenas» 4%, em comparação com +6% em 2022, «os efeitos indiretos da inflação afetaram consideravelmente os comportamentos de consumo e as compras de moda serviram frequentemente de variável de ajuste para fazer face aos grandes aumentos de preços observados nos sectores alimentar e de energia», refere o IFM.

Apesar da inflação, o balanço do ano revela uma quebra de 1,3% em valor em comparação com 2022, com o volume de negócios a manter-se, em média, 5,6% inferior ao de 2019.

As cadeias de lojas e os pure players e especialistas em vendas por catálogo foram, de acordo com os dados da FEVAP, os únicos a sentir um aumento do volume de negócios em comparação com 2019, com subidas de 10,8% e 0,6%, respetivamente.

As quantidades, no entanto, estão em queda, com uma descida de 4% em 2023, com 40% dos distribuidores a dar mesmo conta de uma redução superior a 5%.

Vendas online caem, mas devem crescer

Já as vendas online baixaram 4,9% em 2023, depois da queda sentida igualmente em 2022 – em 2020 e 2021, os resultados foram positivos. Face a 2019, as vendas pela Internet sentiram um aumento de 7,4%.

As lojas físicas, por seu lado, apenas sentiram um ligeiro decréscimo (-0,6%) no ano passado, enquanto a quota das vendas online caiu para 17% em comparação com 18% em 2022 – em 2019 era de 15%.

Desde 2019, a quota das vendas online aumentou 2%. Nas cadeias especializadas, incluindo as grandes cadeias de lojas, o comércio eletrónico passou a representar, em média, 10% do seu volume de negócios em 2023, em comparação com 7% em 2019.

«Esta dinâmica indica que as cadeias especializadas colocaram o desenvolvimento do digital no centro da sua estratégia», afirma o IFM, que acredita que esta quota vai subir nos próximos anos, «o que deixa augurar, a prazo, um potencial do crescimento da quota do online para a totalidade do mercado», acrescenta.

Quanto a este ano, as perspetivas são «incertas», descreve o IFM, que cita os dados do Rexecode, que apontam para que o consumo das famílias francesas aumente, no máximo, 1,2%, «o que não permite prever a retoma do consumo de moda», conclui o IFM.