Vendas de moda arrancam devagar

As condições meteorológicas menos favoráveis estão a afetar a procura de vestuário de primavera e verão no Reino Unido, que durante o mês de abril baixou a uma taxa superior à registada no último ano.

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Segundo os números mais recentes do British Retail Consortium, relativos às quatro semanas até 27 de abril, a queda anual de 2,8% nas vendas não alimentares no Reino Unido, que inclui vestuário, foi mais acentuada do que a queda média de 1,5% nos últimos 12 meses. No mês de abril, os bens não alimentares registaram um declínio homólogo.

Nos três meses até abril, as vendas de bens não alimentares nas lojas diminuíram 2,4% em termos anuais, face a um crescimento de 3,9% em abril de 2023, o que mostra um agravamento em comparação com o declínio médio de 0,7% a 12 meses.

As vendas online de produtos não alimentares diminuíram 5,5% em termos homólogos em abril, face a uma descida de 3,6% em abril de 2023 – uma queda mais acentuada do que as reduções de 3,5% e 3,0% a três meses e a 12 meses, respetivamente.

«O clima sombrio e as vendas dececionantes levaram a um início de primavera deprimente para os retalhistas, mesmo tendo em conta a mudança no calendário da Páscoa. As pessoas atrasaram as compras típicas da Primavera, apesar das tentativas dos retalhistas de atrair os clientes com grandes descontos. Um abril monótono e húmido atenuou o crescimento das vendas de vestuário e calçado, especialmente vestuário desportivo para atividades ao ar livre, bem como de bricolage e mobiliário de jardim», refere Helen Dickinson, diretora-executiva do BRC. «Muitos retalhistas esperam vendas melhores durante os meses de verão, à medida que os eventos sociais aumentam e a confiança dos consumidores melhore com um potencial corte nas taxas de juro», acrescenta.

Linda Ellett, diretora de consumo, retalho e lazer da KPMG no Reino Unido, constata que «o crescimento positivo das vendas registado em março durou pouco, pois o impacto de uma Páscoa antecipada e a continuação do clima húmido e frio fizeram com que as vendas no retalho de abril caíssem 4% em termos anuais».

A responsável da KPMG sublinha que «os números positivos de vendas registados em março devido a uma Páscoa antecipada demonstram a importância que fatores desencadeadores como o clima mais quente, eventos e ocasiões podem ter para ajudar a produzir o impacto necessário para que os consumidores voltem a gastar. Os retalhistas esperam que ainda possa haver um corte nas taxas de juro no início do verão, um forte desempenho da Inglaterra e da Escócia na zona do Euro e um aumento nas temperaturas. Tudo junto pode ser o gatilho para aumentar a disposição dos consumidores para gastar nas próximas semanas».