Vendas a retalho estagnadas no Reino Unido

De acordo com os dados mais recentes do gabinete de estatística do país, as vendas modestas de vestuário em março contribuíram para a estagnação do volume de negócios nas lojas.

[©Pixabay-Rudy e Peter Skitterians]

Em março, as vendas a retalho no Reino Unido não sofreram alterações nem em volume nem em valor, o que sugere que a subida dos preços está a afetar os hábitos de consumo dos britânicos.

Segundo o Office for National Statistics (ONS), o gabinete de estatística do país, citado pelo Just Style, as vendas a retalho permaneceram praticamente inalteradas pelo segundo mês consecutivo, com o volume a aumentar 0,8% no ano até março, ficando 1,2% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Em cadeia, o volume de vendas somou mais 1,9% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o último trimestre de 2023, resultado, segundo o ONS, de vendas baixas durante a época de Natal.

Em termos específicos para o retalho de têxteis e vestuário, as vendas subiram 0,5%, um aumento igual ao registado nos volumes de vendas de lojas não-alimentares, que incluem grandes armazéns, lojas de vestuário e de artigos para a casa, entre outras.

Foram igualmente registados crescimentos nas vendas das lojas de artigos em segunda-mão, enquanto as vendas online permaneceram praticamente inalteradas, tendo subido 0,1% em março e 1,7% no trimestre.

Silvia Rindone, responsável de retalho na EY UK&I, considera que a Páscoa não trouxe o aumento das vendas que os retalhistas esperavam, com os volumes e valores das vendas a permanecerem relativamente inalterados.

«Enquanto avançamos para os meses de verão, os retalhistas esperam uma mudança na maré à medida que a confiança do consumidor aumenta. O último relatório do EY Future Consumer Index concluiu que os consumidores estão a tornar-se cada vez mais conscientes do valor que procuram, o que transcende as considerações de preço para abranger a relação custo-benefício global. Por exemplo, a recente crise do custo de vida viu uma parte significativa dos consumidores mudar para produtos de marca própria», refere.

«Contudo, à medida que a inflação alimentar começa a diminuir, a diferença de preços entre produtos de marca própria e produtos de marca irá diminuir, o que está a levar alguns consumidores a reverter para produtos de marca que muitas vezes oferecem gamas mais inovadoras», aponta Silvia Rindone.

Já Nicholas Hyett, gestor de investimentos no Wealth Club, sublinha que «os retalhistas tiveram um março mais sombrio do que muitos esperavam e as vendas gerais permanecem 1,2% abaixo do pico pré-covid. Os grandes armazéns continuam a ser uma área particularmente fraca, o que não é uma boa notícia para a John Lewis, que anunciou durante o mês que não pagaria o habitual bónus aos funcionários pelo segundo ano consecutivo».

Matt Jeffers, diretor-geral de estratégia e consultoria de retalho na Accenture no Reino Unido e Irlanda, acrescenta que «dado o quadro económico incerto, os consumidores permanecem cautelosos com os seus gastos. À medida que nos aproximamos do verão, e depois de dois meses relativamente estáveis, os retalhistas precisam de intensificar os seus esforços para atrair e reter clientes. Como o preço é a principal preocupação dos compradores, as marcas devem destacar o valor e a qualidade dos seus produtos para se destacarem no mercado competitivo».