Vencedores e perdedores do mundo Pós-Quotas

Esta análise do United Nations Development Programme (UNDP) teve por objectivo o estudo do impacto do acordo sobre têxteis e vestuáriosobre os principais exportadores deste tipo de artigos da Ásia e Pacífico (1). Como esperado, a remoção das restrições quantitativas às importações impulsionou as entradas na U.E. e nos EUA com origem nos países asiáticos no ano transacto. No entanto, contrariando as estimativas mais pessimistas, alguns países resistiram ao aumento da concorrência da China, em particular no mercado norte-americano como confirma o estudo do UNDP. No mercado de importação dos EUA, a quota do conjunto dos 12 principais exportadores asiáticos aumentou de 41,3% em valor em 2004 para 49,8% em 2005. Na U.E. o crescimento da quota foi também significativo tendo aumentado 6,0 pontos percentuais de 47,2% em 2004 para 53,2% em 2005. Em volume, este aumento ascendeu a 5,2 pontos percentuais de 56,2% para 61,4% no ano transacto. A conquista de quota nos EUA e na U.E. reflecte sobretudo a evolução do mercado chinês. De acordo com o UNDP, em 2005, 25% das importações de têxteis e vestuário norte-americanas tinha origem no gigante asiático que compara com uma quota de 17% em 2004. Da mesma forma, a quota da China nas importações da U.E. passou de 23,0% em 2004 para 33,4% no ano passado. Por outro lado, as nações que beneficiavam de algum acordo preferencial, com os EUA e a U.E. foram os principais perdedores da liberalização. A título de exemplo, a quota dos países CBI (Caribbean Basic Initiative – que inclui todos os países da América Central) e do México caiu de 21,6% para 19,2% no mercado de importação norte-americano. Ainda assim, apesar do aumento da concorrência após a liberalização dos mercados, alguns países do grupo dos 12 conseguiram aumentar os fluxos e a quota nos EUA, nomeadamente, o Bangladesh, Cambodja, Índia, Indonésia e o Paquistão. Todavia, deste grupo, apenas a Índia conseguiu aumentar a sua quota nas importações comunitárias. Para além da China e da Índia, todos os outros países do grupo dos 12, mesmo os que beneficiavam de diversas variantes do Sistema de Preferências Generalizadas, registaram declínios nas exportações para a U.E. Em suma, o crescimento das exportações de têxteis e vestuário que os países em análise registaram durante o primeiro ano de liberalização evidencia o forte potencial desta região no sector. No entanto, os benefícios da liberalização não são distribuídos de forma homogénea, uma vez que, o aumento da concorrência dos países mais competitivos, China e Índia, está a levar os países mais pequenos ao colapso. (1) Bangladesh, Cambodja, China, Índia, Indonésia, Lao PDR, Nepal, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia e Vietname. Esta análise está disponível no PortugalTextil.com