Valor promove eficiência

O sucesso da “fast fashion” provocou uma multiplicação das ofertas de moda e promoveu a necessidade de rapidez acrescida na cadeia de aprovisionamento do vestuário. Por consequência, a evolução das estratégias de aprovisionamento estão na ordem do dia, como ficou demonstrado no recente seminário do Industry Forum Services sobre “Competências de aprovisionamento fundamentais”. «A estratégia de aprovisionamento tem de reflectir o comportamento do consumidor. O consumidor quer comprar de uma certa maneira e isso pode-nos obrigar a mudar a forma como aprovisionamos. Mas, acima de tudo, precisamos de ser mais rápidos», explicou Ken Watson, director-executivo do Industry Forum Services. Watson disse ainda que, enquanto a indústria da moda, historicamente, possuía 2 a 4 estações, está agora a aproximar-se das 10 a 12, com os fornecedores de “fast fashion”, como a Zara, a apresentarem 14 a 26 gamas de moda por ano. «Temos agora em curso um fluxo completamente diferente de merchandising, e isso tem um impacto fundamental no modo como aprovisionamos», prosseguiu o responsável. «Quando fazíamos 2 a 4 estações. tínhamos uma forma de aprovisionar que se baseava na perfeição e em grandes lotes duas vezes por ano. Podíamos demorar muito tempo e o departamento técnico podia levar muito tempo para analisar tudo. Já não fazemos isso e temos que pensar “onde é que assumimos o compromisso” e como podemos levar as pessoas a comprometerem-se sem correr riscos, porque o departamento técnico é obrigado a fazer as coisas com base num padrão». Falando aos delegados de retalhistas, incluindo Tesco, Long Tall Sally e Monsoon, Watson afirmou que com a “fast fashion” a tornar-se a norma, as empresas precisam de processos que lhes permitam fazer mais introduções e inovações, mas em lotes mais pequenos. O caminho crítico do vestuário da fábrica para a loja é muitas vezes um problema complexo, com as decisões relativas aos parâmetros de qualidade, aprovações, logística, especificações, documentação, apresentações, amostragem e relatórios de testes, feitos ao longo do caminho. No entanto, o Industry Forum Services considera que os itens que falham quando chegam à loja, muitas vezes foram passados de trás para a frente devido a problemas durante o aprovisionamento. «Passamos frequentemente mais tempo com um produto, o que nos faz perder dinheiro e isso não tem qualquer sentido», considera Watson. E, embora a identificação do caminho crítico de um produto seja essencial, também é essencial encontrar os parceiros certos para o aprovisionamento. «O aprovisionamento não é apenas uma actividade funcional, faz parte da estratégia. Não se trata de negociar com os fornecedores para conseguir os preços certos, trata-se de saber qual desses fornecedores realmente queremos para cada cliente específico para o qual estamos a comprar e como ao fazê-lo estamos a reduzir o risco», apontou Watson. Mas, embora as estratégias eficientes de aprovisionamento possam reduzir o risco de produtos mal sucedidos e rebaixas no fim da linha, evitar as remarcações não é uma ciência exacta. «Quando projectamos, a nossa procura não é certa», referiu Watson. «Na maioria das vezes vai existir uma discrepância entre a procura e a oferta, quando prevemos 100 mil unidades poderiam ser 80 mil ou poderia ser 120 mil. Não há nada de errado nisso, a vida é assim», acrescentou No entanto, Watson considera que as revisões de margem bruta em equipas de aprovisionamento têm ajudado a manter um controlo mais apertado dos custos nos últimos anos. Ele também referiu que o aprovisionamento moderno precisa de uma mistura de aprovisionamento directo, gabinetes de compra, subfornecedores e intermediários, usando a Zara como exemplo. No entanto, cada uma destas operações requer uma vigilância atenta. «Alguns fornecedores têm bom desempenho e outros têm mau desempenho, precisamos portanto de um processo formal de revisão para todos os nossos fornecedores», sublinhou Watson. O resultado final é que a entrega rápida de produtos de moda exige uma abordagem flexível e multifacetada em relação ao aprovisionamento, a qual é desenvolvida no seio da estratégia global da empresa.