Underwear masculino prefere a evolução à revolução

Há já algumas estações que o mercado da roupa interior masculina entrou numa nova era. A oferta diversificou-se em cores e em fantasias. A procura aderiu, deixando-se envolver por este vento de novidades. Actualmente, o mercado parece ter encontrado um novo equilíbrio, “mais calmo” após uns primeiros tempos de euforia associados ao rebentamento da nova vaga de underwear masculino. O tempo da revolução cedeu lugar a uma nova ordem.

Desde há alguns meses que o algodão voltou a estar na moda, publicitado nomeadamente pela Calvin Klein nas suas campanhas ultrasexies. Em termos de forma, os bestselleres são o shorty e o boxer mais curto. Os strings masculinos, que tanto atiçaram a atenção dos media, apresentam baixos volumes de vendas.

«O mercado está um pouco menos activo, mas continua em desenvolvimento. Depois de um 2003 e um primeiro semestre de 2004 marcados por uma verdadeira explosão, 2005 surge como uma fase de estabilização. Voltamos a uma gestão mais realista, depois do mercado ter sido tomado de assalto por quase tudo e… por quase nada», sublinha Pierre Clément, distribuidor das marcas Bruno Banani, Body Art e O’Boy. Os números de 2004 confirmam uma ligeira quebra, com uma diminuição de 4% em valor e de 2% em volume (fonte: Tns Secodip). «Os boxers e os shorties estão ainda em alta, pois representaram 38% das compras de roupa interior masculina em 2004, contra 23% em 2000. E o preço médio de compra é sempre mais alto que o do slip», declara Nathalie Lestrat da Tns Secodip. «Quanto aos circuitos de distribuição, as cadeias têxteis e os grandes armazéns foram as mais dinâmicos, assim como a venda on-line, que todavia permanece marginal».

Embora se tenha estabilizado, o mercado apresenta um cenário revisto e corrigido em termos de oferta, com novas marcas e novos pontos de venda. A distribuição adaptou-se ao underwear para o “novo homem”, métrossexual ou não. Para além dos grandes armazéns tipo Galleries Lafayette, que mimam este universo, as lojas de jeans, as casas de desporto e as boutiques de lingerie feminina oferecem um espaço crescente aos shorties, boxers e slips, acompanhados dos seus tops.

A publicidade continua a ser o meio privilegiado para promoção dos produtos. As marcas “anunciantes” regozijam-se do impacto positivo das suas campanhas, nomeadamente porque o mercado, ainda jovem, é muito sensível às novidades. A marca Sloggi Men escolheu o tenista Yannick Noah – bem na sua pele e bastante popular – para a sua primeira campanha. A marca americana 2(x)ist escolheu um outro tenista famoso, Carlos Moya, para levar a sua imagem. Na Calvin Klein foi o centro-campista do Arsenal, o sueco Fredrik Ljungberg, o ícone da última campanha. Os desportistas suplantaram completamente os manequins profissionais. A imprensa escrita adora, colando-lhes à pele a etiqueta de “métrossexuais”.

Três dias depois da colocação dos outdoors da marca Hom nas ruas de Paris, o seu conjunto Vermelho Paixão em Tactel estava em ruptura de stock na Cidade-Luz. O outro conjunto, verde-acinzentado, À flor da pele, em algodão/poliamida bordado de flores tipo renda, foi também um dos mais vendidos. «A noção de prazer ligada ao consumo de roupa interior desenvolve-se pouco a pouco no homem. O mercado mudou bastante, e ainda bem. Hoje, os grandes armazéns chegam a reunir cerca de vinte marcas», revela Dominique Raffali, director-geral da Hom.

As fantasias muito extremas, que alimentaram as lojas, masculinas e femininas, não são hoje as que realizam os maiores volumes de vendas. Na Hom, as referências dos strings passaram de 25 a 5 nas últimas colecções. No entanto, todas as marcas concordam que o novo homem consome mais do que a média, em particular produtos de grandes marcas. «Quando o cinto contém o logo, mesmo discretamente, marca logo a diferença. As centrais de compras dirigem-se, em primeiro lugar, para estes produtos. Para o consumidor, está ligado a um efeito de moda e de reconhecimento», afirma Sandrine Sasa, responsável da coordenação marketing da Calvin Klein. Além do logo CK, também o D&G de Dolce & Gabbana e os símbolos que identificam um Diesel ou um Armani têm uma cotação elevada nos circuitos selectivos.

Mas outras marcas abrem caminho no mercado. As cores das colecções Eden Park, fabricadas pela Mariner, e as da Cacharel, fabricadas pela Eminence, conhecem crescimentos de dois dígitos nos grandes armazéns onde estão implantadas. Os modelos urbanos e depurados da Puma apresentam também bons resultados comerciais.

As iniciativas abundam, actualmente, neste sector: a Levi’s lançou-se recentemente, a H&M vê as suas vendas aumentarem, os criadores italianos colocaram o seu capital marketing ao serviço do underwear masculino, as marcas desportivas seguem a tendência e até marcas femininas como Scandale e Aubade ousam os primeiros passos.

Mas há uma estrela que hoje se destaca no firmamento do underwear masculino – a Impetus. Com 8 filiais europeias – Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Grécia, Áustria, Inglaterra e Rússia – e uma asiática – China – a marca portuguesa é hoje uma das líderes incontestáveis do mercado. Actualmente, o universo Impetus não se resume à roupa interior, incluindo ainda o homewear e as meias. Para esta estação, a marca criou uma colecção dinâmica e moderna, repleta de modelos em seamless que se adaptam perfeitamente ao corpo e onde são exploradas qualidades especiais de fibras de alta performance, tais como o Impetus Fresh com propriedades termorreguladoras ou o Impetus SkinCare com propriedades hidratantes. Para a próxima estação, a Impetus apresenta uma colecção com espírito desportivo e radical evidenciado em linhas como Player, Danger Zone e NoLimits, onde primam os materiais naturais de qualidade máxima como o algodão Supima ou com impacto visual como o Tactel.

Face à estabilização do mercado, a maior parte das marcas líderes, à semelhança da Impetus, orientam as suas colecções para uma maior subtileza e um maior trabalho ao pormenor para a próxima estação. Eminence abandonou os modelos em tule e prefere concentrar-se nas linhas em micromodal e em algodão-Lycra. O cinto é um dos elementos mais trabalhados pelos estilistas, e em particular o logo. Estas tendências deixam sempre mais espaço à cor: verde, caqui, bronze, vermelho e até laranja têm ganho alguns pontos. Mas o pelotão da frente permanece inalterável – branco, preto e cinzento.

O underwear masculino é ainda um epifenómeno que permitiu já a este mercado encetar uma mutação. «Há ainda uma noção de equipamento utilitário no homem. A sedução apareceu aqui e ali, mas não é generalizada. Deste modo, a oferta tardou a democratizar-se mais do que a modernizar-se. Antes, aqueles que queriam roupa interior Calvin Klein tinham até que ir buscá-la aos EUA. Agora, todas as marcas são facilmente acessíveis em todo o lado», conclui Christophe Lépée.