Under Armour ataca libertação de fibras na origem

Para suportar a criação de produtos mais amigos do ambiente, a Under Armour desenvolveu um teste que mede, de forma precisa, a propensão de um têxtil para libertar fibras ao longo do seu ciclo de vida, da produção à utilização e lavagem.

[©Under Armour]

A inovação da Under Armour é mais um passo para a marca de desporto atingir o objetivo de sustentabilidade de ter, até 2030, 75% dos têxteis nos seus produtos fabricados com materiais que libertem poucas fibras.

«Quando os têxteis são produzidos, usados e limpos, normalmente libertam fibras. Estes fragmentos de fibra, também conhecidos como microplásticos, podem ir parar à atmosfera, aos cursos de água e às cadeias alimentares. Em elevadas concentrações, acredita-se que poluem o ambiente, afetam os ecossistemas e são um risco para a saúde de humanos e animais quando inalados ou ingeridos em alimentos e na água», justifica a Under Armour em comunicado. «De acordo com um estudo comissionado pelo World Wide Fund for Nature (WWF), a pessoa média ingere cinco gramas de plástico por semana – o equivalente ao peso de um cartão de crédito – da libertação de fibras de têxteis e outras fontes de plástico que ocorre naturalmente», acrescenta.

Para identificar materiais que libertam muitas fibras para serem revistos ou descontinuados antes de chegarem ao mercado, a marca americana começou a testar os materiais e medir a sua taxa de libertação de fibras logo no início do processo de desenvolvimento de produto. Está igualmente a usar a técnica para evitar a adoção de novos têxteis poluentes na sua cadeia produtiva.

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«A Under Armour é uma inovadora da indústria. Quando percebemos a gravidade do problema da libertação de fibras durante a pesquisa de produto, sabíamos que tínhamos de encontrar uma forma de usar as nossas capacidades de inovação para fazer a nossa parte», explica Jeremy Stangeland, diretor sénior do Materials Lab da Under Armour. «A nossa estratégia foca-se em trabalhar para ajudar a responder às causas de raiz da libertação de fibras, a começar pela capacidade de medir isso. Através de esforços em curso para rever os tecidos com elevada libertação de fibras para que libertem menos ou não libertem de todo, estamos a usar as nossas competências para impactar positivamente a nossa indústria e comunidades», resume.

Novas soluções

A Under Armour também está a analisar formas criativas para relançar materiais que libertem muitas fibras, nomeadamente através de acabamentos mecânicos e processos de fiação que possam permitir uma redução na libertação de fibras. Os tecidos que libertam muitas fibras, que são muitas vezes atrativos para os consumidores pela sua suavidade, são também menos duráveis do que os que libertam menos fibras, refere a marca, que pretende agora desenvolver produtos com um melhor equilíbrio entre conforto e durabilidade. «Esperamos que os produtos que foram melhorados através deste processo cheguem ao mercado já em 2024 e esperamos continuar a inspirar atletas com inovações impulsionadas pela performance que incorporem o nosso valor para “agir sustentavelmente” à medida que avançamos no nosso objetivo para 2030», afirma Kyle Blakely, vice-presidente sénior de inovação para a Under Armour.

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A metodologia da marca complementa as técnicas de testagem de libertação de fibras e tecnologias de filtros já em uso. A Under Armour utiliza ainda as ferramentas fornecidas pelo Microfibre Consortium, do qual é associada, que tem trabalhado em técnicas para reduzir este problema.

«O Microfibre Consortium dá as boas-vindas ao compromisso da Under Armour para ajudar a responder à questão da libertação de microfibras. O método de teste alinhado mundialmente pelo Microfibre Consortium e publicado em 2021 é um pilar essencial da resposta da indústria do vestuário ao problema da libertação de fibras, determinando as causas de raiz e as ações que podem fazer uma verdadeira diferença na produção de roupa», acrescenta Kelly Sheridam, diretora de investigação do Microfibre Consortium.

O próximo passo da Under Armour é tornar a sua técnica de testagem disponível para o sector e investigar como a abordagem pode ser aplicada por outras indústrias.