Uma solução por Manuel Serrão

Os dois maiores eventos de moda nacional presentes em toda a imprensa da especialidade têm vindo ao longo dos últimos anos, segundo o empresário e responsável pelo Portugal Fashion Manuel Serrão, a especializar-se na afirmação das suas diferenças. A ModaLisboa é um acontecimento integrado na vida cultural lisboeta e tem como objectivo apresentar as colecções dos estilistas, com desfiles individuais em três dias consecutivos. Vê-se uma certa procura pela semelhança com as “fashion week” de outras capitais europeias. Já o Portugal Fashion está «mais vocacionado para a exportação e para a promoção nacional e internacional do panorama global da moda portuguesa», como explica Manuel Serrão, que leva à passarela as colecções dos criadores, dos costureiros e das marcas industriais, divididas em duas noites e quatro desfiles. Mas as diferenças continuam. A ModaLisboa nunca saiu de Portugal – exceptuando a ida a Barcelona em Setembro deste ano. O Portugal Fashion tem levado a moda nacional a vários pontos do país e já realizou nove desfiles em Paris, Nova Iorque e São Paulo. De acrescentar que o Portugal Fashion tem o objectivo de, para além da divulgação dos novos ou consagrados talentos, estimular parcerias entre os estilistas e a indústria, «com a profunda convicção que a sobrevivência do sector em Portugal passa necessariamente por essa política», adianta Manuel Serrão. Como nenhum destes eventos tem por si só, capacidade financeira suficiente para assegurar o investimento da sua actividade, vários organismos públicos canalizam recursos financeiros para apoio destes eventos, sendo eles o ICEP, a DGI ou outras entidades ligadas ao Governo. Mas não é fácil justificar financeiramente que nesta última estação os mesmos estilistas tenham apresentado as suas colecções, em Barcelona e em Lisboa, a convite da ModaLisboa e, simultaneamente, em Paris e no Porto, a convite do Portugal Fashion. Manuel Serrão salienta que o Portugal Fashion «há muito está consciente dos inconvenientes desta falta de coordenação e da necessidade de uma utilização mais vantajosa dos dinheiros públicos» e por isso defende a parceria com a ModaLisboa e com os responsáveis pelos apoios públicos existentes, designadamente o ICEP, a DGI e o IAPMEI. O organizador do evento espera que a «estratégia de apoio à continuação deste esforço seja decidida com celeridade para que nenhuma lacuna possa pôr em causa a credibilidade internacional das organizações. Tem a palavra o Ministério da Economia, o ICEP e a DGI e não será admissível que a eventual falta de disponibilidade de alguma das partes para esta proposta séria de coordenação faça com que pague o ‘justo’ pelo ‘pecador’».