Quando Haijiang Zhou, um licenciado de 22 anos, deixou o seu trabalho como assistente na universidade e voltou em 1987 para a então obscura fábrica da família, a vida não parecia de todo cor-de-rosa – a sua mãe chorava, a namorada deixou-o e os vizinhos suspeitavam que o rapaz tinha sido despedido por causa de «erros graves».Hoje, como presidente da Hongdou, uma das maiores empresas têxteis da China, Haijiang Zhou afirma estar muito feliz com a sua escolha. «Sabia que ensinar não era o meu sonho. Eu queria sair e criar alguma coisa», explica.E criou. A sua empresa emprega agora mais de 20.000 trabalhadores – está entre as maiores empregadoras privadas do país – e apresentou, em 2006, um volume de negócios de 1,88 mil milhões de dólares.Competição primeiroAo contrário de muitos homens de negócios da China que dificilmente têm uma educação formal, Haijiang Zhou, de 41 anos, tem o doutoramento em gestão e uma educação abrangente, desde uma escola do Partido até aos estudos no estrangeiro. A lição mais importante que aprendeu na universidade em Shenzhen, onde ingressou em 1984, foi a competição, que mais tarde estimulou na sua própria gestão. A maior parte das empresas dos anos 80 eram do Estado e eram ineficientes. Os trabalhadores estavam confortáveis, num trabalho para toda a vida, e nunca se preocupavam com o desemprego. Mas Haijiang Zhou, ainda estudante, ficou impressionado por um velho amigo da sua cidade ter sido despedido por um fraco desempenho em Shenzhen.Hoje em dia na Hongdou, Haijiang Zhou entrega o mesmo produto às equipas de vendas de duas unidades de produção de vestuário, colocando-as em competição dentro da empresa. «É difícil criar um filho único», explica. Alguns podem pensar que a estratégia aumenta os custos, mas realça que «precisamos de competição dentro da empresa para fazer face à feroz competição que existe no exterior».Escola do Partido O avô de Zhou começou a trabalhar no processamento de algodão em 1957, empregando três funcionários num espaço alugado. Mais tarde, a pequena fábrica foi convidada para um processo de fusão com mais duas numa operação colectiva. Foi durante o período em que a China era assolada pela pobreza e por catástrofes naturais, e o negócio estava difícil para a empresa. Em 1983, pouco tempo após a reforma e o início da abertura que mais tarde se espalharia pela China, o pai de Zhou, Yaoting Zhou, um secretário local do Partido, tomou conta da empresa, a que Haijiang Zhou se juntou em 1987. Haijiang Zhou ajudou o pai a privatizar a empresa através da compra do restante capital. Em 1992 a família, juntamente com mais 50 pessoas, conseguiu adquirir mais de 50% do capital da empresa. Mais tarde conseguiu fortalecer a sua posição e o governo vendeu as suas últimas acções em 2004.A educação foi importante na carreira de Haijiang Zhou e no estabelecimento de uma rede de contactos. Em 1994, foi enviado pelo seu pai para a escola do Partido para estudar com oficiais de várias províncias. Haijiang Zhou, também ele membro do partido, ficou impressionado com os seus colegas e admite que aprendeu muito com eles. «São muito trabalhadores e muito moderados, apesar da moderação nem sempre encaixar na minha estratégia de negócio», explica.Zhou continuou os seus estudos nos EUA em 1997, onde teve a oportunidade de visitar multinacionais como a Wal-Mart. Aí aprendeu a importância de dar a toda a gente oportunidades iguais e acesso à informação.Na Hongdou, convidou um recém-licenciado para ocupar um importante cargo e colocou uma caixa de correio própria para incentivar os trabalhadores da empresa a enviar-lhe directamente as suas opiniões.Deslocalização e diversificaçãoEnquanto a China ainda é vista como uma base de produção para a maior parte das empresas estrangeiras, a empresa têxtil de Haijiang Zhou tem-se gradualmente elevado na cadeia de valor. Para além das fábricas na sua cidade natal na província de Jiangsu no leste da China e na vizinha província de Zhejiang, dá trabalho a mais de 40.000 pessoas em regime de outsourcing. A maior marca da empresa, Houngdou, ainda tem um baixo perfil nos grandes centros urbanos em crescimento. Haijiang Zhou investe actualmente muito no design e emprega designers de Paris para dar uma nova imagem aos seus produtos.Recentemente, a Hongdou adquiriu 70% duma zona económica no Cambodja e planeia abrir aí fábricas para se expandir, de forma a diminuir os custos e a evitar as barreiras comerciais.Consciente de que os têxteis terão sempre uma margem de lucro reduzida, Haijiang Zhou tem diversificado o seu negócio. Em 1995, adquiriu uma empresa de motociclos de Xangai e tem vindo a desenvolver gradualmente holdings nas indústrias imobiliárias e médicas. Os têxteis contribuem agora com metade das vendas totais da empresa. O seu objectivo é tornar a Hongdou uma empresa com vendas na ordem dos 100 mil milhões de yuans (cerca de 9,7 mil milhões de euros) e estar no top-500 das melhores empresas do mundo.











