Uma década a fio – II

1. COMO TEM EVOLUÍDO A PRODUÇÃO DA VOSSA EMPRESA DE 1990 ATÉ 2001? 2. E O MIX E CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS (MATÉRIAS-PRIMAS, FIBRAS)? 3. QUE AVALIAÇÃO FAZ DA EVOLUÇÃO DO MERCADO (CLIENTES)? 4. CONJUNTURALMENTE COMO ESTÁ O MERCADO? 5. QUEM SÃO OS PRINCIPAIS CONCORRENTES E QUE AMEAÇAS COLOCAM? 6. A DESLOCALIZAÇÃO DE CONFECÇÃO É UMA AMEAÇA ? 7. QUAL DEVERÁ SER A ESTRATÉGIA PARA A COMPETITIVIDADE? 8. ESTE SUBSECTOR É VIÁVEL EM PORTUGAL ? Fiação do Olival aposta em muito valor acrescentado 1. Como em 1994 fizemos um investimento e um aumento da fiação em cerca de 30%, a produção evoluiu positivamente de 1990 a 2000 . Entre 2000 e 2001 acabou por haver uma diminuição da produção até pelas fraca condiçoes de mercado. Nestes últimos anos temos abrandado um bocadinho porque a conjuntura não permite progredir. E uma das causas destas dificuldades conjunturais é a falta de cumprimento das obrigações por parte de alguns clientes. 2. Eu julgo que nós teremos mais ou menos os mesmos clientes. A partir mais ou menos de 2000, nós que éramos uma fiação que trabalhávamos 90% malha e 10% teia, hoje fazemos 90% teia e 10% malha. Portanto, digamos que os nossos clientes deixaram de ser os malheiros e passaram a ser as tecelagens, que felizmente são um bocadinho mais certas e talvez possa usar até o termo mais sérias, porque se calhar hoje se estivéssemos a trabalhar com malheiros, as nossas dificuldades seriam muito piores. 4. Nem comento. O mercado está terrível. 5. Penso que os principais concorrentes são estrangeiros, como o Paquistão, Índia, Turquia, China… Haverá alguns concorrentes que derivado à conjuntura se permitem fazer esforços para cumprirem as suas obrigações, que às vezes é compreensível, eles terão que pagar salários, energia, matérias-primas e às vezes fazem sacrifícios o que os obriga a baixar preços, etc… O mercado está extremamente confuso e complicado, o que faz com que às vezes alguns concorrentes cá se prejudiquem entre si. Claro que vêm muitos fios também lá de fora e que nos prejudicam bastante, o que em termos futuros será a “facada final”. 6. Penso que sim, porque se a confecção se desloca, desloca-se também algum possível cliente. 7. Produção, qualidade e baixos custos. Não tenho uma fórmula mágica para os problemas do sector, mas uma das agravantes é termos uma energia muito cara. Na Fiação do Olival em matéria de flexibilidade e polivalência laboral, nunca tivemos nenhum problema em particular. A flexibilidade é muito importante pelo seguinte: nós trabalhamos oito horas por dia, e penso que não é demais. Se a nossa empresa precisa de saúde e precisa que alguém trabalhe, acho que nós nem devemos olhar para trás. Podemos trabalhar dez horas porque ela precisa, e quando ela não precisa podemos trabalhar seis, e isso não vai interferir no nosso rendimento. Eu não vejo problema nenhum nisso. O que eu vejo são países que não respeitam os direitos do pessoal, não fazem tratamentos de águas, que têm energia mais barata, ajudas de Estado para as importações, em que os terrenos lhes são dados gratuitamente. Não nos dão hipótese de concorrer com eles. Mas pelo menos vamos tentar ser competitivos e aproximarmo-nos um bocadinho deles. Claro que há empresas que neste momento se debatem com sérios problemas porque têm delegados sindicais que são ferozes pois olham demasiado aos direitos e muito pouco aos deveres. Acredito até que algumas empresas estão mal devido às más administrações, por abusos a todo o nível. Mas também há muitas empresas que estão mal porque o pessoal não se mentaliza que quando uma empresa nasce é para produzir a 100%, não com chicote, claro, mas com sacrifício. 8. É viável, mas mediante alterações às leis de trabalho. Como é que nós conseguimos competir com alguém que tem salários mais baixos que os nossos, trabalha mais horas por dia do que nós, não tem as nossas regalias nem os nosso direitos, o Estado comparticipa a vários níveis porque precisa de divisas externas, e então comparticipa para os empresários exportarem, e em que às vezes monta-se a empresa e o terreno é dado, etc… Como é que nós conseguimos competir com isso? Só tendo produtos de grande valor acrescentado. Esse valor tem de ser conseguido através de tecnologia. Se apresentarmos têxteis mais técnicos, com grandes sistemas automáticos, então ainda temos possibilidades. Temos de começar a esquecer todo o negócio que necessite de grande quantidade de mão-de-obra. Só quando os países chamados evoluídos começarem a exigir aos menos evoluídos garantias de respeito às condições de trabalho do pessoal, talvez aí consigamos qualquer coisa. Porque, por exemplo, a China tomou conta de Hong Kong. Ora um chinês de Hong Kong tem as regalias que tem, tem a qualidade de vida que tem, o outro chinês que está ao lado também vai querer os mesmos direitos. Pode ser que nessa altura com 1200 milhões de pessoas a quererem melhorar o seu nível de vida se encontre uma solução para todos. Podemos destacar ainda a necessidade de baixar os custos energéticos, que é muito importante para melhorar a nossa situação económica a nível nacional. Teviz considera a deslocalização uma ameaça bastante relativa 1. Desde 1990 a 2001, há uma clara redução da fiação. Na tecelagem também houve baixa de produção, não obstante o facto de não termos reduzido a capacidade produtiva. 2. Quanto às características do mix de produtos, houve menos recurso a ramas, o que é óbvio com a baixa da fiação. Mas simultaneamente aconteceram aqui uns fenómenos nos últimos anos a salientar: a empresa teve um período em que vendeu fio, comprando fio também, e nos últimos tempos estamos a reduzir o mercado da venda de fios. Em termos de tecidos, relativamente ao último semestre do ano passado, sentiu-se a crise através de uma redução da procura, mas penso que esta, se as condições de mercado estabilizarem no que diz respeito à tecelagem, penso que é solucionável. Apesar de algumas combinações, o algodão continua a ser o mais escolhido, isto porque é o tecido camiseiro, fundamentalmente, e o tecido de decoração, do cortinado, o nosso principal produto. Em relação às fibras sintéticas, as mais utilizadas são poliesteres e poliamidas. Há alguns tecidos elásticos com Lycra, mas com menos percentagem neste nosso mix. 3. Ao nível dos clientes de confecção, verifica-se uma cada vez maior tendência de concentração nas grandes redes. De qualquer maneira, o mercado vai tendo encomendas para ir prosseguindo. 4. Nós sentimos, particularmente no nosso segmento de tecidos, muitas dificuldades porque produzimos um tecido -moda. Estamos de facto a recuperar mas atravessámos um período difícil, sem dúvida, durante o primeiro semestre. Em relação à fiação – como sabe, ela trabalha indexada à nossa produção, intraconsumo, ou seja, só os excedentes vão para o mercado – o mercado está muito fraco. Isso levou-nos à redução de turnos, pois parámos dois turnos. Ou seja, tínhamos a fiação a trabalhar permanentemente mas reduzimo-la a três turnos, passámos ao horário normal. 5. Fundamentalmente, em termos de concorrencia neste momento temos qe destacar a Turquia e a China. As empresas apostam na deslocalização da produção dos genéricos na China e transportam-nos de avião, e isto é uma revolução total, não é? A China vai aproveitar muito bem toda esta possibilidade que a OMC lhe vai proporcionar, e quem coloca lá a tecnologia são os alemães, os suíços, os americanos, etc… Já na Turquia é assim, e lá também vai ser, porque hoje os comerciantes vão procurar sempre a fonte abastecedora mais barata e com maior utilidade. No fundo os mercados ricos, como a Europa, querem diminuir o