Uma aposta no futuro

A construção do Centro Europeu de Têxteis Inovadores (Ceti) deverÁ começar este ano e custarÁ perto de 40 milhões de euros, repartidos igualmente entre instalações e equipamento. Proposto pelo Up-Tex, um pólo de competitividade do norte de França, serÁ financiado em conjunto pelas autoridades públicas, entre os quais o governo francês e a autarquia de Lille, assim como por fundos da União Europeia, através do programa Feder, e através da contracção de um empréstimo. A estrutura é absolutamente gigantesca e comporta 7.000 ateliers, 2.500 laboratórios e 1.500 escritórios, repartidos por 11.000 m², devendo albergar diversas instituições, como o laboratório Gemtex, dedicado aos materiais compósitos, a Escola Nacional das Artes e das Indústrias Têxteis (Ensait), o centro técnico do Instituto Francês do Têxtil-VestuÁrio (Ifth) de Villeneuve-d’Ascq, um laboratório da Escola de Altos Estudos de Engenheiros (Hei), espaços para as Escolas Das Minas de Douai e a de Química de Lille e ainda o Centro Europeu de Não-Tecidos (Cent), que deverÁ deixar Tourcoing para se juntar ao Ceti. Os dados avançados mostram que o Ceti mobilizarÁ cerca de 20 milhões de euros de financiamento privado para a sua concretização, o que é considerÁvel para uma organização deste tipo. Com efeito, não existem mais de quatro centros de pesquisa deste tipo na Europa (um dos quais em Denkendorf, na Alemanha, onde trabalham 120 investigadores) e um nos EUA, directamente financiados pelo Estado. O princípio do Ceti é reunir, em volta de uma plataforma técnica única na Europa, equipas de investigadores, permanentes ou convidados, provenientes de Áreas diferentes, para trabalhar em rede e inventar soluções inovadoras que respondam às necessidades da indústria. O seu posicionamento científico anda à volta dos novos materiais (através da extracção de novos polímeros) que serão transformados segundo técnicas tradicionais (tecelagem ou tricotagem), antes de serem dotados de novas funcionalidades (através de acabamentos ou outras). SerÁ igualmente dado destaque ao sector dos não-tecidos. Segundo a Up-Tex, os 11.000 m² do futuro Ceti serão rapidamente rentabilizados. Com um orçamento de 250.000 euros de despesas, o Cent gerou, no ano passado, 300.000 euros de receitas», faz notar a Up-Tex. A experiência do Cent prova que as empresas estão desejosas de se apoiar em estruturas de pesquisa como o Ceti. E a pagar o preço pelo serviço». O Ceti beneficiarÁ também da visibilidade e do retorno financeiro dos projectos da Up-Tex em matéria de inovação. Além disso, tratando-se de um material flexível e funcional, o têxtil do futuro serÁ transversal» e vai interessar, por isso mesmo, tanto a indústria aeronÁutica como a automóvel, assim como o sector da saúde ou da construção. Sectores esses que, provavelmente, irão precisar do Ceti para pesquisas específicas. Em 2014, ou seja, quatro anos após estar totalmente operacional, o equilíbrio deverÁ ter sido atingido, com um orçamento de cerca de 4 milhões de euros. Uma aposta na tecnologia e nos têxteis do futuro que promete bons resultados e muita investigação.