Um Verão eclético

Com inspiração francesa de uma “Passion” pela Moda», o São Paulo Fashion Week – o maior evento de moda do Brasil – voltou a lançar tendências, desta feita para a próxima estação quente, que deixaram antever um Verão repleto de transparências e influências dos anos 80. A estrear o evento estiveram dois nomes na ribalta: Gisele Bundchen e Jesus Luz, que inauguraram a passerelle para seis dias de muito colorido e propostas frescas. Uma das apresentações mais aplaudidas foi a de Alexandre Herchcotvich, que mostrou propostas inspiradas no desporto e, sobretudo, nas grandes ombreiras dos jogadores de futebol americano. Uma releitura dos anos 80, seguida pela marca Cori, que apostou nas cores vivas e em cinturas bem demarcadas com cintos de diferentes formas e materiais. Uma apresentação inspirada pelo cinema do italiano Bernardo Bertolucci. Por seu ladom a Iódice apostou em vestidos curtos de materiais leves, em muitos casos com reveladoras transparências. Em propostas de tons neutros, branco e azul-marinho, a protagonista do desfile da estilista Valdemar Iódice foi mesmo a top-model brasileira Isabelli Fontana. Prefiro desfilar no Brasil e, realmente, fazer o meu trabalho no meu país não tem preço», afirmou Fontana. Sem medo de apresentar uma colecção sensual, André Lima apostou numa silhueta justa e curta, mas com humor, geometria e um bom corte garantiram sensualidade sem vulgaridade. A geometria apareceu tanto nos recortes quanto nos estampados, sempre repletos de cor. Ao som do forró, funk e lambada, a marca carioca Reserva apresentou, no último dia de São Paulo Fashion Week, uma colecção safari. O estilista Rony Meisler – ao lado dos seus sócios Fernando Sigal e Diogo Marinani – optou por não fugir ao estilo de sempre da marca e as modelos desfilaram calças e bermudas de alfaiataria, em tons azul, rosa e castanho. Já a estilista Tininha da Fonte, da marca Movimento, usou tecidos tecnológicos como o stretch ou a renda com elastano para retratar uma mulher jovem, que vai à praia com peças estampadas, em motivos que remetem para a natureza, como flores, folhas, pássaros e borboletas. No desfile do estilista Wilson Ranieri, o destaque coube à mistura de tecidos, que o criador soube finalizar com harmonia. A par dos desfiles, o evento esteve igualmente envolto numa questão que tem vindo a gerar polémica entre os profissionais de moda, isto é incentivar a um maior número de manequins negros nas passerelles. A orientação da coordenação do Sâo Paulo Fashion Week foi para que cada marca apresentasse, pelo menos, 10% de modelos negras – regra que acabou por causar até protestos, já que na porta do prédio da Fundação Bienal 40 modelos desfilara, para pedir um aumento de quota. Um desfile organizado pelo Projeto Black Fashion, que teve o cuidado para que até as roupas apresentadas fossem de marcas negras. São marcas feitas de acordo com o corpo dos negros», esclareceu André de Souza, coordenador do projecto. Entre as marcas presentes estavam a Pegada Negra e a Cresposim. Queremos que o mercado de trabalho seja mais justo e, por esse motivo, 10% de manequins negros na passerelle da São Paulo Fashion Week é muito pouco», acrescentou Souza. Mas a exigência de quotas não está a ser bem aceite pela maioria das marcas. Penso que moda é liberdade e apesar de entender as razões desta exigência, acredito igualmente que a criação não pode ter limites», salientou Oskar Metsavaht, dono da Osklen. Uma opinião partilhada por Priscilla Darolt: tudo o que é imposto, dá vontade de corromper. Isso é uma ditadura e não estou de acordo com as exigências», concluiu a estilista, que já apresentou anteriormente um desfile apenas com manequins negros.