Um quarto das empresas não tem liquidez

Em caso de paragem total, um estudo elaborado pelo GEE demonstra que 25% das empresas não tem dinheiro em caixa ou depósitos bancários para um mês de salários. Por sectores, alojamento e restauração são os mais vulneráveis. Comércio é o mais resiliente.

Em caso de paragem total, 25% das empresas portuguesas não têm caixa ou depósitos para um salário, no máximo conseguem assegurar 24 dias de remunerações.

As conclusões são de um estudo elaborado pelo Gabinete de Estudos e Estratégia (GEE) do Ministério da Economia, que analisou mais de 100 mil empresas.

De forma concreta, 25% das empresas não disporiam de recursos suficientes para fazer face a mais do que um mês de salários. Num cenário de paragem total, metade das empresas disporia de fundos suficientes para fazer face a aproximadamente 2 meses e meio de salários.

Atendendo à dimensão da empresa, o estudo, da autoria de Nuno Tavares e Gabriel Osório de Barros, conclui que são as empresas de maior dimensão, aquelas que dispõem de menor capacidade para fazer face aos custos com salários utilizando montantes disponíveis em caixa ou depósitos bancários. Apesar de parecer surpreendente, esta conclusão é justificada pelo facto de «as empresas de maior dimensão terem maior acesso ao crédito, permitindo-lhes uma gestão mais flexível da sua tesouraria».

Em 25% das grandes empresas, a caixa cobre apenas seis dias, ou pouco mais de uma semana de vencimentos. Já nas microempresas, um quarto consegue suportar 26 dias de salários.

O estudo alerta ainda para a mais que provável entrada numa recessão da economia à escala global, já no segundo trimestre do ano,  e para a quebra significativa no crescimento do produto em 2020, e surge numa altura em que em Portugal há empresas que não conseguem fazer face aos salários de abril devido aos atrasos verificados quer no pagamento do lay-off, quer no acesso às linhas de crédito, duas das medidas disponibilizadas pelo Governo para ajudar a mitigar os efeitos da crise provocada pela pandemia de covid-19

Em termos de sectores, e sem surpresas, os que foram mais expostos às medidas de contenção, como a hotelaria e a restauração, são os mais vulneráveis para não conseguirem responder às suas obrigações, nomeadamente com salários. Assim, nestes sectores, 50% das empresas não disporiam de recursos para assegurar muito mais do que um mês de custos salariais.

Já o comércio aparece como sector com maior capacidade para fazer face aos encargos com salários, com 50% das empresas a conseguirem assegurar aproximadamente 4 meses de pagamento de salários com recursos a disponibilidades.

O estudo analisou ainda o sector dos transportes, construção e indústria.

No caso dos transportes e construção, as empresas com tesouraria mais fraca conseguiriam garantir 23 a 24 dias de salários, sendo que metade dos negócios tem capacidade para fazer frente a cerca de dois meses e meio de salários.

A indústria e serviços aparecem menos resilientes, sendo que 25% das empresas tem caixa para suportar 20 dias de remunerações, e 50% dos negócios suporta mais de dois meses sem receitas.